Sopa de espinafre


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Considerado  alimento importante na dieta das crianças, era por elas recusado, até que as mães norte-americanas descobriram que Popeye poderia ser um poderoso aliado em favor do vegetal verde-escuro
Considerado alimento importante na dieta das crianças, era por elas recusado, até que as mães norte-americanas descobriram que Popeye poderia ser um poderoso aliado em favor do vegetal verde-escuro

“Um homem mal-humorado nunca chegará a ser um mestre na arte culinária, pois a perturbação de seus sucos gástricos destrói a excelência que deveria governar seu paladar”

Charles Pierce (1839-1914)
filósofo, cientista, naturalista norte-americano


Teste seu conhecimento, indicando o autor das frases que se seguem. “Eu sou o que sou e isso é tudo o que eu sou!” “Já aguentei o que pude, não aguento mais.” “Tubarões me mordam!” “Caranguejos me besliquem!” “Pelas barbas dos camarões!”

Acertou se disse que elas são ditas por Popeye, o marinheiro mal-humorado, de queixo protuberante partido ao meio, tatuagens de âncoras nos dois braços, na boca torta o eterno cachimbo. Criado pelo cartunista Elzie Segar em 1929, impressiona por sua longevidade e pelo fato de ser conhecido por gerações ao redor do mundo. Sua característica mais marcante conferiu-lhe o nome: pop eye na língua inglesa quer dizer olho estourado, arrancado, saltado para fora. E é assim, sempre com um olho fechado pela pálpebra, como se o globo ocular tivesse sido extraído, que ele vive mil aventuras nos quadrinhos, nos desenhos, nos filmes.

Segar contou que os traços de Popeye tinham tudo a ver com um homem que conhecera quando criança, Frank Fiegel, de origem escocesa. Ele era aposentado e fazia serviços de limpeza num bar de Chester (Illinois) onde o cartunista nascera. Caolho, fumava cachimbo e conversava sozinho sobre aventuras mirabolantes no mar. Também Olívia Palito namorada de Popeye, havia sido inspirada na realidade, era um esboço de Dora Paskel, dona de um armazém da mesma cidade. Muito alta e magra, usava saias retas, compridas e escuras, e penteava o cabelo liso enrolando-o em coque. Calçava sapatos de botões que mais pareciam botinas. Ah, você já leu muitos gibis do Popeye e entre as frases acima não encontrou a mais importante? Pois vamos a ela: “Sou forte até o fim, com espinafre para mim.” Esta frase se tornaria emblemática no universo infantil que viria a habitar por décadas. O espinafre, que fora indicado ao menino Segar pelo velho Frank Fiegel, a fim de que ficasse forte, conferia a Popeye poderes imensos, dando-lhe muita energia e garantindo vitórias em terra e no mar. Considerado alimento importante na dieta das crianças, era por elas recusado, até que as mães norte-americanas descobriram que Popeye poderia ser um poderoso aliado em favor do consumo do vegetal verde-escuro. Imediatamente atrás das mães veio a indústria que enlatava o espinafre cozido e tudo virou um negócio de milhões na terra de Tio Sam.

Acontece que este vegetal é mesmo fonte riquíssima em minerais como ferro, cálcio, fósforo, além da vitamina A e das vitaminas do complexo B, consideradas um antidepressivo natural. Não é o elixir da eterna força, mas os nutricionistas são unânimes em reconhecer seu valor nutritivo. No livro Panelinha- Receitas que funcionam, a chef Rita Lobo faz a sua apologia no capítulo em que trata das sopas. Diz ela que “entre todas as receitas, esta (a de espinafre) é uma das minhas favoritas; (...) e não sai da mesa de minha casa. Sugiro que aqueles que ainda não a provaram, experimentem. O resultado é surpreendente. E o preparo mais que simples.”

Então, que tal seguir conselho de especialista? Eu segui e adorei o resultado. Lavei as folhas e descartei os talos. Numa panela média, coloquei sal (só uma pitada), água (só uma colher), as folhas de espinafre. Tampei, levei ao fogo médio até as folhas murcharem. Retirei com espumadeira, deixei escorre e esfriar, apertei com as mãos para retirar o restante de água, piquei grosseiramente e reservei. Em outra panela média, coloquei a manteiga, levei ao fogo médio, esperei derreter. Juntei a cebola, adicionei o espinafre picado, mexi bem, deixei no fogo por três minutos. Acrescentei o caldo de galinha e o leite. Temperei com uma pitada de noz-moscada. Quando ferveu, abaixei o fogo e deixei cozinhar por cinco minutos. Coloquei o queijo ralado e verifiquei o sabor. O sal estava correto. Transferi o creme para o copo do liquidificador. Segurei a tampa firmemente com luva térmica e bati por 30 segundos. Voltei à panela por mais 3 minutos e servi. Muito bom, gente.

Ingredientes

1 maço de espinafre fresco
2 colheres (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de cebola picadinha
2 xícaras (chá) de caldo de galinha
2 xícaras (chá) de leite
1 colher (café) de sal
1 pitada de noz-moscada
½ xícara (chá) de queijo parmesão ralado

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