Secretária promete revolucionar o atendimento da saúde em Franca


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A secretária de Saúde, Rosane Moscardini Alonso, anunciou construção de UBSs, como no Bonsucesso
A secretária de Saúde, Rosane Moscardini Alonso, anunciou construção de UBSs, como no Bonsucesso

A voz calma, o sorriso no rosto e a aparência impecável não revelam a força da mulher que hoje comanda uma das secretarias mais delicadas da Prefeitura de Franca. Desde maio do ano passado, Rosane Moscardini Alonso, 48, coordena toda a política de saúde da cidade. São 1,7 mil funcionários e um orçamento de R$ 180 milhões por ano.

Assistente social, Rosane ingressou na Prefeitura em 1993 para atender em uma UBS (Unidade Básica de Saúde). Três anos depois já estava trabalhando na parte administrativa. Foi um pulo para que assumisse em 1998 a Unidade de Auditoria e Controle (UAC) da secretaria. Neste setor, era responsável por analisar todos os convênios e contratos assinados pelo município na área da saúde. Era ela também quem acompanhava a fila de cirurgias eletivas e a liberação de recursos para procedimentos de alto custo.

Trabalhou durante quase oito anos ao lado do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) quando ele foi secretário de Saúde. Se tornou tão próxima que foi a escolhida para substituí-lo quando ele se afastou para concorrer à Prefeitura.

Com uma rotina de 12 horas de trabalho, Rosane tem um grande desafio pela frente: melhorar o atendimento prestado à população. “Nossa meta é que a população tenha um acesso rápido e de qualidade à rede de saúde.”

Uma pesquisa de avaliação de governo realizada em dezembro do ano passado consultou a população francana sobre a qualidade de 24 serviços públicos prestados pela Prefeitura. A pior nota foi para o atendimento nas unidades de saúde e no pronto-socorro. Numa escala de 0 a 10, a saúde recebeu nota 5. A pesquisa foi encomendada pelo GCN Comunicação junto ao Instituto Datalink para avaliar o governo do ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB).

Para melhorar o atendimento, a aposta da secretária é em uma parceria com o Ministério da Saúde que deve alterar o atendimento hoje prestado pelas 14 Unidades Básicas de Saúde da cidade. Nesta segunda-feira, o prefeito irá anunciar investimentos de R$ 7,5 milhões no setor.

Pelo novo modelo de gestão, as UBSs passarão a contar com agentes comunitários que visitarão as pessoas em casa. Outro foco é reduzir a fila das cirurgias eletivas; R$ 3 milhões já estão destinados às operações.


Comércio da Franca - A senhora tem mais de 20 anos de experiência na área da saúde. Na sua opinião, quais os principais problemas do atendimento público?
Rosane Alonso -
O grande desafio é lidar com as diferenças. É conseguir oferecer um atendimento com qualidade para todos.

Comércio - Mas quais seriam os obstáculos que impedem a Secretaria de Saúde de Franca de oferecer esse atendimento a todos?
Rosane -
Hoje nossa maior dificuldade é conseguir ampliar a oferta dos serviços de saúde. Nossa meta é que o paciente possa chegar às unidades e ter acesso rápido, com qualidade e humanizado ao serviço. Precisamos qualificar os nossos profissionais para que estejam preparados para oferecer esse atendimento mais humanizado. O que percebo é que quem procura o serviço de saúde pública não está atrás apenas de identificar um problema ou tratar uma dor, mas também quer atenção, quer cuidados. Às vezes, precisa de uma conversa, de uma atenção maior. Estamos lidando com seres humanos em uma situação de fragilidade. Então, o cuidado tem que ser maior. Por isso, estamos nos esforçando para treinar nosso quadro e melhorar a qualidade de atendimento.

Comércio - A senhora falou sobre melhora de qualidade. Mas existem regiões em Franca que sequer contam com um posto de atendimento e outras superlotadas.
Rosane -
É verdade. Mas estamos mudando o sistema de atendimento básico para tentar acabar com esses problemas. Desde a campanha eleitoral no ano passado, já estávamos estudando essa alteração. É um novo modelo de atendimento que vem sendo difundido pelo Ministério da Saúde. Nele, em vez de Unidades Básicas de Saúde (UBS) surgem as Equipes de Atenção Básica (EAB). Pelo novo modelo, que já começa a ser instalado em Franca, as UBSs vão ganhar agentes comunitários e se transformar em EABs. Hoje são os pacientes que procuram as unidades quando precisam de atendimento. Com a instalação destas equipes, seremos nós, da secretaria, através destes agentes, que iremos em busca dos pacientes para fazer a prevenção e o acompanhamento.

Comércio - E como vai funcionar essa busca pelo paciente? Existe um prazo para essas mudanças?
Rosane -
Os agentes farão visitas de casa a casa, como acontece no Programa de Saúde da Família. Eles serão os responsáveis por subsidiar os médicos com diversos indicadores como a existência de mulheres grávidas, de pessoas que fazem uso de álcool ou drogas, de pessoas idosas, crianças menores de 4 anos, entre outros. Eles também agendarão consultas para a família quando necessário. Os dados colhidos pelos agentes serão informados à Unidade Básica que terá condições de desenvolver um plano de trabalho para as famílias. Essa é uma mudança grande de gestão. Estamos terminando de acertar os detalhes com o Ministério da Saúde. Depois começaremos a contratação dos agentes comunitários e enfermeiros para montar essas equipes nas unidades. A primeira a trabalhar como EAB será a UBS do Jardim Aeroporto 1, que está sendo ampliada e reformada e deve ser reinaugurada ainda este ano.

Comércio - E a partir de quando todas as unidades da cidade devem contar com este novo modelo?
Rosane -
Vamos começar pela UBS do Aeroporto 1. Depois expandiremos esse modelo para a do Jardim Paulista, do Guanabara, do Planalto, do Leporace e da Vila São Sebastião. Escolhemos essas unidades pelo volume de atendimento que têm. Só na São Sebastião são 40 bairros que abrangem aproximadamente 40 mil pessoas.

Comércio - Mas qual a previsão para o início da implantação?
Rosane -
Não temos um cronograma fechado. Dependemos das reformas e ampliação das unidades e da capacitação das equipes. Mas acredito que nestas unidades, que abrangem 52% da população da cidade, até meados do ano que vem as equipes já estejam trabalhando.

Comércio - Sobre a ampliação do atendimento, há previsão de instalação de novas unidades de saúde?
Rosane -
Sim. Agora em abril, devemos abrir licitação para a construção da UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) da região oeste, que ainda tem um atendimento complicado. Além disso, construiremos uma UBS no Jardim Bonsucesso. Ainda este ano, devemos começar as obras de uma nova unidade no Leporace. Já encaminhamos um pedido ao Ministério da Saúde para a instalação de mais cinco UBSs.

Comércio - A senhora também é membro da comissão que foi montada para administrar a Santa Casa de Franca enquanto o contrato definitivo de prestação de serviços para o governo do Estado não é assinado. Já é possível saber por que a instituição enfrenta tantos problemas financeiros?
Rosane -
O que posso dizer é que existe mesmo um déficit entre o que é gasto pelo hospital e o que é repassado pelo SUS. Para se ter ideia, de cada R$ 100 gastos pela Santa Casa, o Ministério da Saúde arca com apenas 60%. O restante acaba ficando por conta da instituição. Ao longo dos anos, isso tem sido o principal responsável pelo endividamento, que já chega a um passivo de R$ 60 milhões. Diante de todas as ameaças de paralisações, resolvemos tentar ajuda ao hospital. Negociamos com o Estado uma forma de minimizar esse déficit da tabela SUS. Chegamos a um consenso de que a Prefeitura entraria com um reforço de R$ 3 milhões em seis meses e o governo do Estado o montante de R$ 1,5 milhão por mês. Isso até que um novo modelo de gestão possa ser adotado pelo hospital. Para encontrar esse modelo, foi montada essa comissão da qual faço parte. A administração abriu todos os dados da instituição e até junho devemos ter uma resposta sobre o futuro da Santa Casa.

Comércio - A senhora falou que teve acesso aos dados do hospital. A Santa Casa nunca revelou os valores pagos ao seu corpo clínico e aos funcionários administrativos. Há suspeita de que existam super salários. Isso chegou a ser verificado pela comissão?
Rosane -
Sim. Estudamos a folha de pagamento dos funcionários e médicos e posso afirmar que não há esses absurdos. Pelo menos não de janeiro para cá, que foi o período analisado. Sobre antes, não posso afirmar. Os valores pagos são os praticados pelo mercado.

Comércio - Sobre o futuro da Santa Casa, é certo que ela passará por uma transformação. Duas alternativas têm sido analisadas: a estadualização completa e a criação de uma organização social (OS) para assumir a administração dos prédios e equipamentos, que passariam a ser do Estado. Qual delas a senhora considera mais viável?
Rosane -
Na verdade, a definição sobre o que deve ser feito caberá ao governo do Estado e à diretoria da Santa Casa. Não há nada acertado ainda. O que posso dizer é que a Secretaria Estadual de Saúde tem preferido o modelo de organização social. São pouquíssimos os hospitais que hoje têm o gerenciamento direto do Estado. Mas independentemente do modelo escolhido, a vantagem para a Santa Casa é que o hospital passará a ter um orçamento fechado determinado pelo custo dos procedimentos e não mais pela tabela SUS, acabando assim com o déficit operacional. Mas ainda é cedo para termos uma resposta.

Comércio – Foi aprovada pela Câmara Municipal a liberação de R$ 3 milhões para cirurgias eletivas. Como está esse processo?
Rosane -
Essa verba é um investimento extra que o governo Alexandre Ferreira (PSDB) está fazendo para cumprir uma promessa de campanha de diminuir a fila de espera por cirurgias eletivas na cidade, que hoje chega a 9 mil pessoas. Estamos agora na fase de acertar detalhes com os hospitais contratados para iniciarmos a fase de pré-operatório. Vamos realizar 4,4 mil cirurgias em seis meses. Devemos agora começar a notificar os pacientes para que compareçam à Secretaria Municipal de Saúde para realizar os exames necessários. A ideia é priorizar a ordem cronológica da fila. Mas os casos mais sérios terão prioridade. Só peço aos interessados que não estiverem com o cadastro atualizado junto à secretaria para que o façam, senão não teremos como comunicá-los.

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