Exames encontraram vestígios de pólvora nas mãos do estudante Luiz Roberto Prata Quintiliano, 17, o Toi-Toi, do Jardim Cambuí, morto na tarde do dia 21 de outubro do ano passado, ao tentar, supostamente, pegar a arma de um soldado da PM em uma blitz. Laudo da Perícia Criminal aponta que o jovem poderia estar segurando a pistola ponto 40 no momento do disparo. O policial foi submetido ao mesmo exame e não foram encontrados sinais de substâncias químicas.
O incidente ocorreu por volta das 16 horas, durante uma operação de trânsito na rua Clóvis Vieira de Andrade, no Leporace. Toi-Toi era passageiro de uma moto, cujo piloto não obedeceu ao comando de parada durante uma blitz. Na fuga, o estudante bateu as mãos ou tentou pegar a pistola empunhada pelo policial - ainda não há uma conclusão - e esta disparou. O condutor da moto fugiu, deixando para trás o colega, que caiu do veículo em movimento após ser atingido pelo tiro.
Entre os exames realizados estava o residuográfico, que consiste em um teste para descobrir se alguém fez uso de arma de fogo em um crime. O material é colhido nas mãos do suspeito para verificar se existem resíduos de pólvora, chumbo e outros materiais que são liberados quando uma arma é disparada. O laudo apontou vestígios de pólvora nas mãos do jovem. As do policial estavam “limpas”.
O inquérito iniciado há exatos seis meses, por determinação da Delegacia Seccional, ficou sob responsabilidade da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). O caso foi registrado como resistência, homicídio e desobediência. O delegado Márcio Murari, que preside os trabalhos, disse que só se manifestará após a conclusão, prevista para o fim desta semana.
Advogados da área criminal ouvidos pelo Comércio alegaram desconhecer as peças do inquérito. Mas, com base nas informações preliminares, a maioria acredita que o caso se caracteriza como homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Nesses casos, são analisadas a imperícia (incapacidade ou falta de habilidade específica), a imprudência (ato de agir perigosamente, com falta de moderação ou precaução) e a negligência (falta de cuidado ou de aplicação numa determinada situação, tarefa ou ocorrência).
SEM RESPOSTAS
Um IPM (Inquérito Policial Militar) foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte do estudante. A Seção de Comunicação Social do 15º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior) de Franca não respondeu o e-mail enviado e não retornou as ligações efetuadas entre as 15 e 18 horas de sexta-feira, para responder qual foi a conclusão do inquérito militar.
Contratado para acompanhar o inquérito e falar em nome dos pais de Toi-Toi, o advogado Márcio de Freitas Cunha também não retornou às ligações para falar sobre o laudo e o final do inquérito na Polícia Civil.
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