Revelam os espíritos codificadores do Espiritismo que há uma lei natural - e implacável - que, respeitando-nos o livre-arbítrio, rege-nos ações e suas consequências. É a Lei de Causa e Efeito, segundo a qual tudo que fazemos, ou, quando moralmente indispensável, deixamos de fazer, provoca, necessariamente, uma reação consentânea com a particular intensidade e natureza do que tenhamos produzido, por ação ou omissão. É o que, aliás, nos ensinara o Mestre Jesus, quando disse: ‘a cada um segundo as suas obras’.
Não se trata de vã filosofia. A ortodoxia científica, com Newton, eminente físico inglês, também proclamou: ‘a cada ação corresponderá sempre uma reação igual e em sentido contrário.’
Vê-se que nada passa despercebido pela Lei Providencial que, no seu aspecto objetivo, acha-se instalada em nossa consciência, o arquivo infalível a registrar tudo, para reagir ao seu tempo.
Somos testemunhas de nós mesmos. Impossível fugirmos à própria consciência, instrumento divino a, ‘ad-infinitum’, implementar-nos a razão. É a Suprema Justiça a nos julgar, absolver ou condenar, perante a qual não conseguimos mentir, senão por breves instantes.
Em vão, buscaríamos criminalistas angelicais que nos pudessem defender. A desejada e confortadora ajuda espiritual só se realizará após inequívoca eclosão do nosso sincero e íntimo propósito de instalarmos, moralmente transformados, o processo redentor de nossas faltas clamorosas.
Ante uma lei que se caracteriza pela infinita justiça, quem nos julgará senão nós mesmos, que conhecemos a nossa própria verdade? No chão planetário, quando se instaura um processo judicial, convocam-se técnicos especializados, arrolam-se testemunhas, colhem-se depoimentos, pareceres, ouvem-se acusadores e defensores, resultando, ainda assim, impossível aplicar-se a justiça na sua plenitude absoluta.
Mas, no plano do espírito, ao contrário, tudo se acha indelevelmente gravado em nossa própria consciência, que nos julgará com divina precisão.
Como, porém, são infinitas a sabedoria e a justiça divinas, se condenados, ser-nos-ão concedidas reiteradas e misericordiosas chances corretivas. Eis a justiça plena, revestida de absoluta isenção de equívocos.
Daí o Espiritismo estimular o estudo, a investigação, a pesquisa, no quanto nos é dado entender das leis da natureza, como infalível orientação de como nos conduzirmos por entre as possibilidades evolutivas.
Convenhamos, se nos foi concedida a liberdade de agir, foi-nos imposta a responsabilidade pelos nossos atos, ainda que praticados em aparente segredo, posto que o natural automatismo das Leis de Deus já nos registrara a intenção. Com efeito, recomenda-nos a razão evitemos, tanto quanto possível, o comprometimento perante as sábias e justas leis universais.
Sabedores de que a vida continua após o túmulo, que inevitavelmente colheremos o que semeamos e que, no mundo espiritual, defrontar-nos-emos com a própria consciência, será medida no mínimo inteligente deixarmo-nos guiar pelos ensinamentos do Evangelho do Senhor, principalmente quando nos recomenda: ‘fazei aos outros o que quereis que vos façam’.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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