À Carmen Sinara Caleiro
“A morte tem seus países:/ e a sua cartografia/ nem por símbolo me dizes./ Como foste ou como vieste?/ e como soam teus passos na jurisdição celeste?”
Cecília Meireles
‘Tristeza Gloriosa”, Poemas III
Aonde foram as grandes asas,
Plantadas por mil borboletas,
Que em ti eu vi crescerem
Diáfanas, leves e fortes,
Que te levavam aos longes
- Além-terras, além-mares, além-ares...
Além-sonhos antes sonhados -
E te traziam de volta?
Aonde te levam agora?
Ao centro das águas, ao centro dos céus,
Ao centro da Vida?
E onde estão aquelas vidas
- amoroso labor de entranhas -
Que cresciam em tua vida?
(Havia em ti rios nascentes,
No momento da tua partida.
Onde eles correm agora?)
Quero asas de borboletas
Que transitem por outros espaços
Além-terras, além-mares, além-ares...
- Além-sonhos nunca sonhados -
Levando e trazendo abraços,
Palavras de afeto, sorrisos...
Quero asas de borboletas
Que saibam novos caminhos:
Para as fontes dos jardins etéreos
- Além-sóis, além-luas, além-astros...
Muito além da vida terrena.
Que levem ao centro das águas,
Ao centro dos céus,
Ao centro da Vida,
Ao pólen da flor transparente
Que hoje te enfeita os cabelos,
Minha mensagem de amor.
E que me tragam notícias
Desta recente viagem tua
Ao Eterno - mundo novo
Que ora habitas.
Que me tragam o teu sorriso,
O toque de teu abraço
Incorpóreo, embora vivo,
Perfeitamente sensível.
Tragam-me a certeza
De que há mil belos países
Na jurisdição celeste
- Este novo etéreo mundo
De jardins e borboletas
Que tu e teus filhos visitam.
Certeza de que, para o Amor,
A Morte é só uma viagem:
O “nunca mais” não existe.
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