Apesar do aparente clima de calmaria na cidade na tarde de ontem, os cidadãos de Restinga estão indignados. Para eles, os acontecimentos políticos dos últimos dias só servem para prejudicar o próprio município.
Na última terça-feira, a Câmara afastou o prefeito Paulo Pitt (DEM) e a vice Luciene Martins (PRB) do comando da cidade, acusados de diversas irregularidades. Oito dos noves vereadores aprovaram o afastamento de Pitt e Luciene por 90 dias, sob a alegação de que se ambos permanecessem na Prefeitura dificultariam os trabalhos da CEI (Comissão Especial de Inquérito), criada para apurar as supostas fraudes. Mas no dia seguinte, um mandado de segurança expedido pela Justiça reconduziu os dois a seus cargos. Ontem, Pitt já despachava na Prefeitura.
A incerteza causada na cidade pela disputa de poder revolta os restinguenses. “Isso é muito prejudicial para a população. Restinga vem sofrendo há muitos anos. É muita briga política, e ação boa para o lado do povo não sai. A impressão que a gente tem é que é cascavel querendo comer jararaca”, disse o agricultor José Batista, 53.
A maior parte dos moradores ouvidos na tarde de ontem pelo Comércio se posicionou contra os vereadores. “Esse pessoal que afastou o Paulo é um bando de baderneiro. Ele, com pouco mais de três meses de Prefeitura, não teve nem tempo de fazer coisa errada. Isso é briga política”, afirmou o comerciante João Carlos da Rocha. “Isso não existe. Eu, com 69 anos de idade, nunca vi vereador arrancar um prefeito da Prefeitura sem ter prova, sem nada. Os vereadores têm que se unir ao prefeito e fazer coisas para a cidade, mas os vereadores só ligam para seus próprios interesses”, disse o funcionário público aposentado Hélio de Oliveira, 69.
CONFLITO
Quando Pitt voltou a Restinga ontem - ele estava em São Paulo -, encontrou a porta da Prefeitura com um buraco. Durante a madrugada, uma pessoa não identificada jogou uma pedra no vidro, quebrando-o.
O prefeito reclamou da forma como foi afastado. “Nesses 100 dias, a Câmara não me fez uma notificação. Se algo está irregular, você notifica. Não vou fazer com os vereadores o que fizeram comigo, mas eles serão responsabilizados.”
Leonardo Cintra (DEM), presidente da CEI, nega a declaração de Pitt. “Ele foi afastado para a preservação de provas. Desde janeiro, nenhum requerimento dirigido a ele pela Câmara Municipal foi respondido. Se você encaminha um requerimento, pedindo o que você quer de prova, ele desaparece com elas”, disse o vereador que se dispôs a apresentar esses documentos ao Comércio, mas até o fechamento desta edição não o fez.
Na quarta-feira, a advogada de Pitt, Alessandra Carlos, disse que documentos e arquivos da Prefeitura estavam revirados e alguns haviam sido levados. O presidente da Câmara, Fernando Costa (PSB), que assumiu as funções de prefeito por menos de 10 horas, negou as acusações. “Foram tirados xérox de documentos, mas não pegamos nada. Fiz um boletim de ocorrência na manhã de quarta-feira, porque faltavam as pastas de leis, decretos e portarias”, afirmou.
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