Justiça ‘devolve’ Prefeitura de Restinga a Paulo Pitt


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Do lado de fora da Prefeitura, simpatizantes de Paulo Pitt (DEM) comemoram recondução do prefeito ao poder
Do lado de fora da Prefeitura, simpatizantes de Paulo Pitt (DEM) comemoram recondução do prefeito ao poder

Durou menos de 10 horas a permanência do vereador Fernando Costa (PSB) no comando da Prefeitura de Restinga. Uma decisão da Justiça, no final da tarde de ontem, reconduziu o prefeito Paulo Pitt (DEM) e sua vice Luciene Martins (PRB) ao poder.

Presidente da Câmara Municipal, Costa passou a responder pela Prefeitura na manhã de ontem, depois que Pitt e sua vice foram afastados dos cargos acusados pelos vereadores de praticar dezenas de irregularidades. Entre elas, desvio de verbas e contratação de funcionários fantasmas.

Para investigar as acusações, foi aprovada na quarta-feira a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito). Como os vereadores temiam a interferência do prefeito nas apurações, decidiram também afastá-lo da Prefeitura, assim como sua vice.

Com base na Lei Orgânica de Restinga, na ausência do prefeito e da vice, quem passou a responder pelo comando da Prefeitura foi o presidente do Legislativo Municipal, o vereador Fernando Costa.

Não eram nem 8 horas desta quarta-feira, quando Fernando e sua equipe chegaram para assumir a Prefeitura de Restinga. Encontraram o prédio trancado. Foi necessário acionar um chaveiro para que pudessem ter acesso à sede da administração municipal.

Como prefeito, a primeira medida de Costa foi determinar permitir que os integrantes da CEI tivessem acesso aos documentos municipais. “Estamos aqui para cumprir nossa função de fiscalizar e facilitar o trabalho da comissão.”

Além disso, o então prefeito interino iniciou uma auditoria nos setores de Recursos Humanos e de Licitações. “Precisamos saber o que estava acontecendo aqui na Prefeitura.” Ainda falando como prefeito, no início da tarde, Costa disse que já havia encontrado duas irregularidades na administração de Paulo Pitt. “Tivemos acesso a uma nota fiscal no valor de R$ 1.396 referentes a um almoço em um restaurante de Franca. No dia foram consumidos mais de 70 chopes, tudo pago pela Prefeitura. Também constatamos a existência de mais um funcionário fantasma.”

Sem considerar a possibilidade de deixar o comando de Restinga, Costa falou sobre o futuro da cidade. “Espero que consigamos acabar com o que vem acontecendo, com essas irregularidades e abuso de poder.”

Enquanto isso, Paulo Pitt, que passou o dia em São Paulo, orientava seus advogados a ingressar na Justiça com um mandado de segurança para que pudesse voltar à Prefeitura. O processo deu entrada no Fórum de Franca às 15h30. Duas horas depois, o juiz Aurélio Miguel Pena, da Vara de Fazenda Pública, concedeu o mandado de segurança. “Ele considerou o fato de o prefeito não ter tido o direito de se defender. Além disso, também questionou a legitimidade da Câmara para adotar esse afastamento sem o devido processo”, disse a advogada de Pitt, Alessandra Carlos.

Em Franca, por telefone, Fernando Costa disse que deve recorrer da decisão que concedeu o mandado de segurança. “Não vamos desistir de apurar a fundo todas as acusações. Vamos, sim, recorrer.”

RETORNO
A notícia logo se espalhou por Restinga. Populares aos poucos foram se aglomerando em frente ao prédio da Prefeitura que já tinha encerrado seu expediente. Por volta das 18 horas, a vice-prefeita Luciene Martins, acompanhada da advogada e de um oficial de Justiça, chamou novamente um chaveiro para que pudesse retomar o poder. “Estou aliviada. Passei o dia na expectativa. A Justiça não me decepcionou”, disse Luciene.

Ao ingressar no prédio, a vice-prefeita logo percebeu que as salas também estavam com as fechaduras trocadas. Mais uma vez, o chaveiro teve de agir. No interior, segundo ela, era possível ver que todos os arquivos estavam revirados.

A advogada Alessandra disse que o grupo de Fernando teria levado a central de processamento de dados do computador do Setor Jurídico, diversos documentos do setor de licitações e compras, todas as portarias e ofícios enviados por Paulo Pitt e ainda todos os arquivos das finanças do município. “Vamos fazer um boletim de ocorrência e cobrar a responsabilidade pelo que houve.” Alessandra Carlos ainda afirmou que tudo foi fotografado e que deve levar o caso ao conhecimento do Ministério Público.

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