Moção de repúdio Feliciano é aprovada sem ser votada


| Tempo de leitura: 2 min
Deputado Marco Feliciano (PSC) em culto na Igreja Assembleia de Deus, no Parque Moema, em março deste ano. Manifestantes protestaram contra o parlamentar do lado de fora do templo
Deputado Marco Feliciano (PSC) em culto na Igreja Assembleia de Deus, no Parque Moema, em março deste ano. Manifestantes protestaram contra o parlamentar do lado de fora do templo

Mesmo quando não abre a boca, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) gera polêmica. Mas, desta vez, a culpa não é dele. A lambança é de responsabilidade da Câmara Municipal de Franca. Uma Moção de Protesto contra o pastor acusado de racismo e homofobia foi tida como aprovada pelos vereadores e cópias foram distribuídas para órgãos diversos. Merecedor ou não, o tal repúdio ao presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal nunca foi levado à votação. A bancada evangélica se revoltou com a aprovação fantasma e cobrou explicações da presidência. Jépy Pereira (PSDB) determinou à Comissão de Corregedoria que apure os fatos.

O repúdio foi proposto por Márcio do Flórida (PT) no mês passado, quando os protestos contra Feliciano, surgidos pela primeira vez em Franca, começaram a se espalhar pelo País. Líder do governo, Adérmis Marini (PSDB) havia manifestado o interesse em assinar a propositura, mas desistiu. Ligados à Assembleia de Deus, os vereadores Otávio Pinheiro (PTB), pastor da igreja, e Claudinei da Rocha (PP), diácono, chegaram a conversar com o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) na tentativa de convencer a base governista não aprovar a moção. A intenção era evitar constrangimento com os evangélicos.

Na sessão do dia 19 de março, a proposta foi lida e encaminhada para ser discutida pelo plenário na reunião seguinte, como manda o Regimento Interno, mas a discussão não aconteceu. “A moção não voltou mais ao plenário, não tem a assinatura do presidente e, estranhamente, consta da ata que foi aprovada por unanimidade. Cópias foram encaminhadas indevidamente para Brasília, o que é inaceitável”, lamentou o Pastor Otávio.

Com o apoio de Claudinei da Rocha, o vereador pediu que a aprovação seja anulada e que a proposta seja submetida à apreciação do plenário. Também exigiu providências para que sejam apuradas responsabilidades pela aprovação fantasma.

O presidente Jépy Pereira prometeu rigor na apuração dos fatos. “Determinei à Corregedoria que faça uma apuração sumária, sem ouvir ninguém, apenas com dados que temos e por meio das gravações internas. Espero que tenha sido um equívoco. Se houve má-fé, vamos tomar as providências cabíveis.”

Jépy afirmou que a moção tida como aprovada não tem sua assinatura. Ele disse que a situação pode se desdobrar em um fato gravíssimo. “Não se pode admitir isso. Hoje, foi uma moção, mas amanhã pode ser um projeto de lei importante.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários