Um homem procurado pela Polícia Civil de Franca, acusado de aplicar golpes no valor de R$ 500 mil em pelo menos 30 pessoas da cidade, foi morto a tiros em Uberlândia (MG). Segundo a polícia mineira, José Fernando Pereira Júnior, 33, foi assassinado pelo próprio cunhado, Gleisson dos Reis Souza, 34, na última quinta-feira, 11. O homicídio aconteceu depois que Souza descobriu que a casa de sua mãe teria sido hipotecada por Pereira.
De acordo com a polícia de Uberlândia, Pereira estava sozinho em sua residência, localizada em um bairro de classe média, quando Souza, armado com um revólver calibre 38, iniciou uma exaltada discussão. O autor desferiu quatro disparos que acertaram a vítima na altura do tórax. Pereira morreu antes da chegada do socorro.
Segundo a polícia mineira, a mulher da vítima, Cristina dos Reis Souza Pereira, 38, disse que o marido havia contraído uma dívida com terceiros no valor de R$ 200 mil e, como garantia, teria hipotecado a casa da sogra. O cunhado ficou inconformado, foi tirar satisfações com Pereira e acabou matando-o. O autor do homicídio fugiu, mas se entregou às autoridades, a pedido da irmã, horas depois.
O homem assassinado era procurado em Franca acusado de estelionato. Os crimes foram denunciados em abril do ano passado. Os golpes na cidade teriam começado em novembro de 2011. Em cada caso, de acordo com os denunciantes, o acusado teria agido de maneira diferente. Para alguns, se apresentava como construtor, para outros, era corretor ou engenheiro civil. Segundo as denúncias, Pereira negociava a venda ou reforma de imóveis e pedia pagamentos antecipados, mas não cumpria o combinado.
Na época, o acusado não possuía nenhum registro profissional nem no Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) do Estado de São Paulo nem no Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) de São Paulo ou de Minas Gerais. Tais registros são obrigatórios para os profissionais que atuam nesta área.
CASO ENCERRADO
Quando informado pelo Comércio sobre a morte do acusado por crimes de estelionato praticados na cidade, o delegado titular do 5º Distrito Policial de Franca, Helder Rodrigues, se mostrou surpreso. Ele disse que diante da nova realidade, vai finalizar o inquérito criminal movido pela delegacia contra Pereira.
O delegado explicou que, como não haverá punição, o caso está encerrado, pelo menos na esfera criminal. “Resta apenas o processo civil, que poderá ser movido pelas vítimas. Dependendo da situação financeira do acusado, e se houver algum bem em seu nome, talvez seja possível reaver parte do dinheiro perdido. Infelizmente, esse processo é bem complicado e demorado.”
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