O jornalismo diário existe para registrar o cotidiano. Os conflitos de interesse e poder, os fatos inesperados e curiosos, as tragédias, as expressões da cultura e várias outras coisas que se sucedem na ordem natural dos dias. De forma geral, o jornalismo tenta espelhar a face e a alma da sociedade que descreve. Mas por dever de ofício, não se atém apenas ao lado belo e alegre dessa face, ou à paz de espírito dessa alma, mas reflete também os aspectos sórdidos e mesquinhos que as enfeiam e as entristecem.
Porém, esse lado mais sombrio não é compreendido por muitas pessoas. Para elas, infelizmente, a imprensa seria uma espécie de incentivadora das catástrofes e tragédias que permeiam o dia a dia, pois ao levá-las ao conhecimento da população, estaria também dando a elas uma notoriedade inconveniente. É o velho erro de culpar o mensageiro e não a mensagem. No entanto, se essas mesmas pessoas analisassem com um pouco mais de atenção as edições diárias deste Comércio, com certeza perceberiam que ao jornalismo cabe informar e repercutir os acontecimentos que conformam o todo social, sem nenhuma intenção de forjá-los, exagerá-los ou exaltá-los.
Nas últimas semanas, por exemplo, assim como fez durante toda a sua existência, este Comércio publicou várias matérias que se analisadas sem preconceito poderiam muito bem nos levar a excelentes reflexões sobre as sutilezas da vida em sociedade. Ao mesmo tempo em que mostrou as tragédias ocorridas no trânsito e o aumento da violência em toda a cidade, problemas que incomodam e estão cada vez mais presentes na vida de todos os francanos, mostrou também que cerca de R$ 3 milhões serão investidos em cirurgias eletivas na Santa Casa, o que é fundamental para a saúde pública e com certeza ajudará a salvar muitas vidas.
Com a mesma objetividade com que mostrou a degradação daquele que já foi um dos mais importantes clubes da cidade, hoje totalmente invadido por moradores de rua que estão aos poucos depredando todo o patrimônio, valorizou a linda campanha desenvolvida pela pequena Ana Laura e sua família na conscientização da doação de medula óssea. A inauguração do viaduto, por si só, é emblemática. Da mesma maneira que o jornal apontou todos os problemas apontados por especialistas na referida obra, mostrou também o lado positivo da inauguração do novo viaduto, uma obra ainda inédita na cidade, que dá o tom de seu desenvolvimento.
Da mesma forma que apresentou o resultado positivo do Dia D, que rendeu mais de R$ 80 mil ao Hospital do Câncer, repercutiu também os transtornos ocasionados aos moradores do entorno do Shopping pelos shows ali realizados, assim como escancarou os péssimos resultados das escolas estaduais de nossa cidade.
Como se pode ver, a questão está no próprio cotidiano, que em sua essência está cheio de altos e baixos. Se não percebemos essa dinâmica é porque seguimos demasiadamente concentrados na vida e em nossos interesses. Cabe, pois, ao jornalismo, mostrá-los.
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