Cristo vive para sempre


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Novo domingo que a bondade de Deus nos oferece para a grande experiência do Cristo que vive para sempre conosco

Por meio da Palavra de Deus é possível iluminar nossa vida e sair das situações que trazem morte e abrir-nos o caminho da vida em plenitude. Vamos observar os ensinamentos que as Escrituras Sagradas nos reservam para este domingo

1ª LEITURA — ATOS DOS APÓSTOLOS 5
A comunidade cristã, desde os primeiros anos da sua vida, teve que enfrentar a oposição dos líderes espirituais de Israel. Eles assassinaram Jesus de Nazaré, considerando-o blasfemo, presunçoso, por não cumprir as disposições e orientações deles. Certo dia os chefes e os anciãos do povo decidem prender os apóstolos e levá-los diante do Sinédrio.
Nem um pouco amedrontado, Pedro, em nome de todos, responde: “Importa obedecer antes a Deus do que aos homens”. Cristo foi um homem incômodo para os detentores do poder, quer político, quer religioso; os apóstolos, da mesma forma, foram incômodos para as autoridades constituídas e por isso foram perseguidos. Também em nossos dias os cristãos autênticos não podem deixar de ser pessoas impertinentes. Eles sempre deram e continuarão dando aborrecimentos aos que propugnam e defendem situações injustas, incompatíveis com o Evangelho.
A segunda parte da leitura contém um breve discurso que resume toda a mensagem cristã sobre a ressurreição. Pedro, de forma dramática, contrapõe a ação de Deus à das autoridades religiosas judaicas: “Deus ressuscitou Jesus que vós matastes”. Aquele mesmo que os homens condenaram como uma pessoa perigosa, como um inimigo da ordem constituída, foi exaltado por Deus como Senhor e Salvador.

2ª LEITURA — APOCALIPSE 5.
O capítulo 5 de Apocalipse tem como tema central, Jesus Cristo, redentor, glorioso e vencedor, que traz em suas mãos os destinos da história. João contempla um número incontável de seres que proclamam a dignidade do Cordeiro. Os sete títulos (poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor) indicam a plenitude da dignidade e da obra redentora de Cristo e a perfeita glorificação daquele que a realizou.
Nos versículos 13 e 14, o cântico que começou no céu se estende por todos os âmbitos da criação, em exclamações de louvor unidas à liturgia celeste.

EVANGELHO — JOÃO 21
O texto narra outra aparição de Jesus e tem como tema principal a missão da Igreja sob a guia do Ressuscitado. O número sete significa perfeição ou totalidade. Aqui traduz a comunidade perfeita, a que se reúne em torno do banquete. Os protagonistas da cena, Pedro e o Discípulo Amado, são os mesmos que entraram no sepulcro vazio. Novamente, o Discípulo Amado reconhece o Senhor. É o amor que precede esse reconhecimento. Mas é Pedro, dessa vez, que corre ao encontro do Senhor. É também ele quem toma a iniciativa de pescar e de trazer para a praia a rede cheia de peixes. Assim, entrelaçam-se o reconhecimento do Ressuscitado e o serviço missionário representado pela pesca. Sem esse reconhecimento, o trabalho é estéril; somente com Cristo ele se torna fecundo. Os 153 peixes grandes simbolizam o grandioso sucesso da missão e seu caráter universal.
A Pedro é confiada a tarefa pastoral na Igreja. As três perguntas que Jesus lhe faz sobre se ele o ama, correspondem às três negações do apóstolo. Pedro não ousa afirmar que ama o Senhor mais que os outros discípulos. Sua resposta é humilde, pois sabe de sua fraqueza e tem consciência de que sua tarefa é fundada na graça. Jesus pergunta a Pedro considerando sua disponibilidade, e é a partir daí que lhe é confiada a missão.
No v. 18, Jesus apresenta a Pedro a total disponibilidade que o discípulo deve ter para o seguimento. Caminhar com Jesus é assumir também seu destino: o martírio. Dessa forma, o serviço que Pedro assume no pastoreio deve ser feito num total dom de si. Esse dom só é possível para aquele que ama, ainda que não o faça “mais que os outros”. Esse amor incondicional, que o próprio Cristo vivenciou, Pedro aprenderá em sua caminhada. Por enquanto, sua própria entrega foi o reflexo desse amor.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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