O Hemocentro de Franca cadastra cerca de 180 doadores de medula óssea por mês. Em março, com a campanha no auge, 956 pessoas passaram pelo local e se inscreveram para tentar ajudar Ana Laura. A chance de encontrar um doador compatível é de uma em cem mil. No cadastro nacional há 2,9 milhões de doadores. As informações foram cruzadas e não foi encontrado ninguém a tempo para que o transplante fosse feito. Um doador, cuja identidade não foi revelada, foi identificado na véspera da morte da garota, não sendo possível fazer o transplante.
A iniciativa dos francanos não foi em vão. Isis Maranha, 33, é uma das que integram o cadastro local. Suas características genéticas não bateram com as de Ana Laura. Não teve como ajudar a menina, mas os seus dados foram identificados pelo Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) como sendo 100% compatíveis com outra pessoa que está na fila aguardando o transplante. Não há informações sobre quem é e onde mora o paciente.
Isis foi chamada novamente ao Hemocentro e fez a coleta de sangue para novos exames. Ela aguarda a convocação para concretizar a doação da medula. “Fiquei muito feliz com a notícia. É bom demais saber que tenho todas as condições de poder ajudar a salvar uma vida. Não sei nada sobre quem vai receber. Espero que o meu caso sirva de exemplo para incentivar outras pessoas a se cadastrarem para aumentar as chances daqueles que precisam do transplante”.
O médico Marco Benedetti disse que toda a equipe está satisfeita com o fato de um doador cadastrado no Hemocentro de Franca ser identificado como sendo 100% compatível. Ele acredita que o fato poderá fazer com que mais pessoas fiquem interessadas em se cadastrar para também ajudar a salvar vidas. “A campanha da Ana Laura foi um divisor de águas. Pela primeira vez, houve uma grande mobilização da sociedade por meio da imprensa e das redes sociais. Houve um grande incremento de doadores e, consequentemente, começam a aparecer as pessoas que são compatíveis”, disse ele.
Na manhã de ontem, mesmo com o tempo frio e chuvoso, cerca de 100 pessoas passaram pelo Hemocentro para doar sangue. O movimento foi turbinado pela torcida local do Corinthians, que aderiu à campanha realizada simultaneamente em nível nacional. “Esta é uma corrente que não pode parar. A gente sabe que a campanha da Ana Laura extrapolou as barreiras de Franca. Certamente o cadastro vai aumentar e isto aumentará muito a chance de quem está precisando de um transplante”, concluiu o médico.
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