Depois de conquistar a confiança do técnico Lula Ferreira e se tornar um dos líderes do garrafão francano, o pivô Lucas Fernandes Mariano, 19, quer conquistar títulos e “cravar” seu nome na história do Franca Basquete. Mesmo com a pouca idade, o jogador participa pela terceira vez do NBB - Novo Basquete Brasil. Diferentemente das edições passadas, em que teve pouco espaço e era tratado como eterna promessa no time, na atual temporada, Lucas deixou de lado este rótulo e passou a ser um dos principais jogadores do Vivo/Franca. O pivô de 2,08 metros é o segundo maior pontuador da equipe, com média de 11,39 pontos por partida. Jhonatan é o primeiro, com 14,61.
Natural de Planaltina (GO), veio para Franca aos cinco anos com os pais Alcir Donizete e Alexandra Kácia. O DNA para o esporte vem da própria família. Sua mãe foi atleta profissional de basquete e o pai, jogador de handebol.
Em Franca, Lucas passou por todas as etapas da categoria de base, até chegar a treinar com o time principal quando tinha 15 anos, sob o comando do então técnico Hélio Rubens. Dois anos depois, o pivô foi inscrito pelo clube e passou a compor o elenco adulto.
Mesmo assim, Lucas não conseguiu ter espaço no time diante da presença de jogadores experientes, como Spillers, Drudi, Babby e Vuk Ivanovic. A grande oportunidade surgiu com a renovação que o basquetebol de Franca sofreu na temporada passada, que culminou na saída do técnico Hélio Rubens e de antigos “medalhões”. O experiente Lula Ferreira foi contratado para reformular o clube, com o propósito de valorizar novos talentos da modalidade.
Nomes como o de Lucas, Cauê Borges e Antônio Elpídio ganharam notoriedade. Entre os planos de Lucas estão a seleção brasileira e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. No ano passado, Lucas treinou com o técnico Rubén Magnano na seleção principal e foi e-logiado por seu desempenho.
Na última sexta-feira, após seis vitórias seguidas, o Vivo/Franca teve sua sequência quebrada por Uberlândia. Em um jogo eletrizante, com mais de 5 mil torcedores no Póli, o time mineiro venceu por 75 a 73. “Lucão” foi o principal jogador de Franca, anotando 22 pontos e sendo o cestinha do jogo. Apesar do rendimento, o pivô deixou a partida triste por não conseguir o objetivo traçado: G-4. Mas segue confiante no potencial do time.
Comércio da Franca - O elenco do Franca Basquete está mudado, rejuvenescido. Na sua opinião qual o segredo do sucesso do time no Franca Basquete?
Lucas Mariano - É uma filosofia nova de trabalho e que vem dando certo. Temos trabalhado muito para tomarmos poucos pontos e para que o placar adversário não passe dos 70 pontos. A defesa forte tem sido nosso diferencial durante os jogos e todos estão comprometidos nesse mesmo propósito, um ajudando o outro.
Comércio - Qual o papel do técnico Lula Ferreira para tal campanha do Vivo/Franca no campeonato?
Lucas - Ele é fundamental para essa nossa campanha no NBB. Ele sabe tirar aquilo que pretende de cada jogador. Além de tudo, tem sido um pai para todos. Cobra, fala, aconselha e dá duras quando precisa. Todos nós estamos aprendendo muito com ele.
Comércio - Boa parte do time principal é formado por atletas da categoria de base. Como você avalia o trabalho que é desenvolvido desde a iniciação?
Lucas - O investimento nas categorias de base é maior. Fruto disso são os inúmeros títulos conquistados por todas categorias e recentemente com o time juvenil, onde participei. Nessa temporada, o Lula tem acompanhado de perto a base, passando conselhos e sugestões. Essa é a maneira de descobrir novos talentos. Foi assim comigo, Léo e Antônio, e com tantos outros. Franca tem uma categoria de base de respeito e de muito nome no cenário nacional.
Comércio - Qual foi seu melhor jogo por Franca nesse NBB?
Lucas - Guardo dois jogos nessa temporada. A nossa estreia contra Brasília, que mesmo com a derrota [62 x 77], consegui fazer um bom jogo e ser o cestinha de Franca na partida [marcou 23 pontos]. Outro jogo especial foi contra o Minas, onde ajudei o time com a última bola e saímos vitoriosos [78 x 77].
Comércio - A vitória contra o Flamengo ficará marcada nessa campanha do time. Qual a sensação de tirar a invencibilidade do líder do campeonato, em pleno Rio de Janeiro?
Lucas - Foi uma vitória incrível, pois ninguém acreditava que seríamos capazes de derrotá-los no Rio de Janeiro. Não tem time imbatível no campeonato. Existe sim favoritismo, e naquela circunstância o time adversário era favorito. No primeiro turno, tivemos um pouco de receio na partida. De lá pra cá, a confiança cresceu e mostramos que podemos bater qualquer equipe. Com essa vitória, mostramos que estamos aqui para fazer uma nova era no basquetebol de Franca.
Comércio - Contra Uberlândia, na sexta-feira, Franca teve o jogo nas mãos, mas vacilou no fim, levou a virada e perdeu a chance de ficar no G-4. Onde o time errou?
Lucas - Demos muita bobeada no fim e nas bolas de três pontos, o Uberlândia encostou no placar e virou. Paramos de atacar da mesma forma do início, e o adversário aproveitou o momento. Fica a tristeza por não termos conseguido alcançar o objetivo de terminar no G-4. A vida é cheia de vitórias e derrotas. Vamos trabalhar pois temos um playoff de oitavas pela frente.
Comércio - O Vivo/Franca será campeão do NBB 5?
Lucas - Acho cedo demais [para opinar sobre isso], pois estamos iniciando um processo de renovação. O trabalho traçado é para daqui a dois anos sermos apontado como um dos times favoritos aos títulos do Nacional e Paulista. Mas é claro que existe essa possibilidade e estamos lutando para isso. Se o título vier, será melhor ainda, pois alavancará a carreira de todos.
Comércio - Mesmo com 19 anos, você é uma das peças importantes na atual temporada. Ficou um aborrecimento no passado, por ter tido pouco espaço no time comandado por Hélio Rubens Garcia?
Lucas - Poderia ter mais oportunidade naquela temporada. Em vários momentos via que poderia estar jogando e adquirir mais tempo de quadra. Como tinha outros jogadores experientes no elenco, o treinador optava por eles. Não tenho nenhum aborrecimento com ele, pois foi o Hélio quem me convidou para treinar com o time profissional quando eu estava com 15 anos de idade, me ensinou muito e deu dicas para minha carreira. Sem dúvida é um dos melhores técnicos.
Comércio - Você foi selecionado por Rubén Magnano para treinar com a seleção brasileira de basquete em preparação para os Jogos Olímpicos de Londres. Como surgiu essa possibilidade?
Lucas - Fui convocado para treinar com a seleção B para o Sul-Americano, que aconteceria na Venezuela, e o técnico era Gustavo De Conti. Pelo meu desempenho nos treinos, um dia antes da competição, o Rubén Magnano achou melhor eu não disputar o Sul-Americano, e sim ficar no país para treinar com a seleção principal. Foi uma experiência realmente incrível poder dividir a quadra com ídolos.
Comércio - E como foi sua convivência com os astros do basquete nacional?
Lucas - Conhecer o Nenê, Varejão, Leandrinho, Tiago Splitter, Marcelinho Huertas, jogadores ídolos de uma geração, foi maravilhoso. Tive um maior contato com o Varejão, onde ele passou histórias de sua carreira e falou até mesmo de sua passagem por Franca. O Nenê foi outro que me ensinou muito, dando conselhos de jogo dentro no garrafão, como é o estilo na NBA, entre outras dicas. Me espelho muito nele.
Comércio - As Olimpíadas 2016 acontecerão no Rio. Você acredita na possibilidade de ser convocado e defender a seleção brasileira?
Lucas - É um sonho. Procuro em cada treinamento fazer o meu melhor para ser recompensado lá na frente. Nessa oportunidade de treinar com a seleção principal, pude aprender muito e é claro que todos passaram a conhecer meu jogo e quem é o Lucas Mariano. Tenho condições de estar na seleção e isso depende do meu rendimento por Franca. Espero ter outras oportunidades de jogar por Magnano.
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