Vinte e cinco pessoas são atacadas toda semana por cães ou gatos em Franca. Segundo dados da Vigilância em Saúde do município, no ano passado foram 1.231 ataques de cães e 56 de gatos. Em 2011, foram registradas 1.114 reclamações contra cães e 60 contra gatos. Já em 2013, até agora, são 213 agressões de cães e 9 de gatos. O último caso mais grave foi o do menino Ryan Henrique Silva, 8, que teve o braço dilacerado por um cão de rua (leia texto nesta página).
O chefe da Vigilância em Saúde da cidade, José Conrado Dias Neto, afirma que o órgão tenta evitar esse tipo de ocorrência. “Fazemos muitas palestras em escolas sobre posse responsável. Nesses encontros, ensinamos às crianças e seus pais a reconhecer os sinais dos animais para evitar agressões”, explica Neto.
Ele citou um levantamento da Vigilância, feito em 2010, que apontou que a maioria dos casos de ataques é de animais de estimação contra os próprios donos. Por causa disso, o chefe do órgão de saúde orienta que a população tome uma série de cuidados. “Se uma fêmea está com filhotes, não os segure. É preciso também tomar cuidado com os cães de rua, chegar com calma e não por a mão de uma vez. Não se deve incitar o animal [a realizar atos violentos], como bater o pé para ele. Se o animal tem dono, não se deve chegar perto se ele estiver sem guia nem sem a autorização do dono. Outra dica é não colocar a mão no alimento dele, porque ele vai achar que você está roubando e vai te morder.”
Os números são constituídos por pacientes atendidos no pronto-socorro “Doutor Álvaro Azzuz”. Mesmo se a vítima possuir convênio médico particular, ela é encaminhada para o órgão municipal. Além disso, a notificação inclui não só ataques mais graves, mas também qualquer agressão, como arranhões. O sistema de notificações faz parte do Programa Nacional de Erradicação de Raiva Humana, que possui ações como a vacinação de cães e gatos e o monitoramento de cavernas que contenham morcegos.
A fiscalização do órgão de Franca não termina com a notificação. Os animais de rua são acompanhados por dez dias no Canil Municipal. Já os de estimação são examinados pela Vigilância, com seus donos recebendo as orientações necessárias do órgão. “Se esse animal apresentar sintomas neurológicos ou vier a óbito nesses dez dias, colhemos material dele e enviamos a um instituto para análise”, explica Neto, acrescentando que, em Franca, não existem casos registrados de raiva canina ou felina há mais de dez anos. Os cães recolhidos ao canil são castrados, passam por um período de ressocialização (quando passeiam de coleira de forma a verificar se continuam com comportamento agressivo) e são postos para adoção.
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