“Martinho” quer dizer “guerreiro”, “belicoso”
Natural de Todi, Itália, S. Martinho I foi o sucessor do papa Teodoro, conduzindo a Igreja por seis anos (649-655), em um período agitado por questões político-religiosas. O imperador Constante II, num documento, havia tomado partido a favor de dois grupos heréticos; os monotelitas, que afirmavam existir uma só vontade em Cristo; e os monofisitas, que defendiam a existência de uma única natureza em Jesus. No Concílio de Latrão, não só a intromissão do imperador em assuntos eclesiásticos foi repudiada, como seu documento foi condenado. Desencadeou-se, então, uma onda de perseguições e de atentados contra Martinho, culminando com sua prisão e deportação para Constantinopla. Após um ano e cinco meses de viagem por mar, chegou a Constantinopla, debilitado pela fome e sede. Por um dia inteiro ficou estendido ao chão, sob a zombaria da multidão. Depois foi despido, acorrentado e lançado em uma prisão. Tal era seu sofrimento que um dia suplicou: “Façam de mim o que quiserem; qualquer morte será para mim um benefício”. Transferido para Criméia, morreu de inanição no mais absoluto abandono, no dia 16 de setembro de 655.
Oração
Da perseverança na fé
Deus, nosso Pai, nos momentos difíceis dai-nos a graça de confiar totalmente em nós, de atirarmo-nos em vossos braços protetores. Senhor, estais conosco e nossa vida sustentais, por isso nada nos abaterá. Estaremos atribulados, mas não seremos esmagados, postos em extrema dificuldade, mas não vencidos. Perseguidos, mas não abandonados. Prostrados por terra, mas não aniquilados. Em dificuldades, mas não desesperançados. Em travessia, mas não errantes. Transitórios, mas não acabados. Que nesse dia perseveremos na fé até o fim, para que a vida, não a morte, prevaleça sobre nós. A exemplo de S. Martinho, que tudo suportou na certeza de que Deus estava com ele e não o abandonaria em sua extrema penúria, sejamos neste momento de depressão, de aflição, dor e esmagamento revigorados por vosso amor e nada nos faça vacilar nem abater nossa confiança em vós: “É na conversão e na calma que está a vossa salvação; é no repouso e na confiança que reside a vossa força” (cf. Is 30, 15ss).
Os Cinco Minutos dos Santos/ J. Alves.
São Paulo: Editora Ave-Maria, 2002.
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