O pagode mais forte do que nunca


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Luís Carlos, vocalista do Raça Negra, grupo que tem mostrado nova força
Luís Carlos, vocalista do Raça Negra, grupo que tem mostrado nova força

Com certeza os anos de 1990 trazem muita nostalgia para a galera que, atualmente, possui seus 20 e poucos anos. Eram tempos em que a tecnologia ainda não dominava por completo a rotina do povão em geral. Os videogames eram simplórios no quesito gráfico, mas extremamente divertidos. Os desenhos animados que passavam na televisão pela manhã eram violentos, mas libertavam a imaginação. Isso sem mencionar que, como criança inocente, não era preciso se preocupar com contas, trabalhos de faculdade, estágio, namorada/namorado e tantas outras coisas. E, como criança repleta de inocência e cheia de curiosidade, você escutava as canções que tocavam no rádio e via os grupos na TV sem preconceito. E, como você tinha tempo de sobra, acabou ouvindo, repetidas vezes, as músicas que marcaram a década retrasada. É por isso que você lembra da letra inteira de Pelados em Santos, do Mamonas Assassinas, e também Mulher de Fases, do Raimundos, mesmo sem escutá-las há alguns anos. Dito isso, é importante ressaltar que outras canções que estão cravadas em sua memória, quer queira quer não queira, irão saltar da sua boca. Para a alegria dos fãs carentes e desespero de quem odeia o gênero, o pagode “clássico” está de volta.

A maior prova disso é o renascimento do Só Pra Contrariar, grupo que, este mês, celebra 25 anos da formação do grupo. Eles começam sua turnê neste dia 20, em Recife, e estão com compromissos agendados até 2014. Parece que o povo sentia muita saudade de Alexandre Pires e sua pequena trupe cantarolando “toda vez que eu chego em casa, a barata da vizinha tá na minha cama” e tantos outros hits grudentos.

Outro que está de volta aos palcos é Salgadinho, ex-vocalista do Katinguelê (“Lua vai! Iluminar os pensamentos dela. Fala prá ela que sem ela eu não vivo/. Viver sem ela é o meu pior castigo”). Para se ter uma ideia do nível que o pagode romântico se encontra, Salgadinho sairá em turnê pela Europa durante os próximos meses.

Por fim, mas não menos memorável, existe ainda o icônico Luis Carlos, mais conhecido como “o cantor da língua presa do Raça Negra”. O grupo dele nunca saiu de cartaz e segue com um público fiel que canta, em uníssono, versos do tipo: “você jogou fora o amor que eu te dei. O sonho que sonhei, isso não se faz. Você jogou fora a minha ilusão, a louca paixão”.

E é com essa leva que os novos pagodeiros, como Thiaguinho e Sorriso Maroto por exemplo, terão de conviver. Bom para os fãs do estilo musical, que têm a oportunidade de ver duas gerações musicais em ação.

DIVIDINDO OPINIÕES
Como tudo nessa vida possui, ao menos, dois lados, o Se Liga conversou com uma pessoa que gostou da ideia e outra que odiou. Leia os testemunhos e tire suas próprias conclusões.

A auxiliar de enfermagem Natália Rodrigues, 24, é fã declarada de pagode e, claro, está muito feliz com a época em que ela vive. “Pena que aqui na região esse tipo de show é coisa rara, mas imagina quem vive em São Paulo, por exemplo. Em um dia é possível ver o show do Thiaguinho e, no outro, do Só Pra Contrariar”, afirma. “O pagode é um estilo feliz, leve e gostoso de se ouvir, de cantar e dançar. É perfeito”.

Já para o técnico em informática Cairo Eduardo Alves, 22, o retorno dos grupos de pagode só pode significar uma coisa. “O ritmo é chato e as letras só falam de amor e coisa do tipo. Totalmente dispensável”.

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