Problemas em casas de programa federal gera revolta em moradores


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A pespontadeira Djanet do Nascimento reclama de portão que não foi calafetado; ela teve que soldá-lo para que a estrutura não caísse
A pespontadeira Djanet do Nascimento reclama de portão que não foi calafetado; ela teve que soldá-lo para que a estrutura não caísse

Infiltrações, rachaduras, piso das calçadas muito fino e quebradiço, portões não calafetados e janelas que não fecham. Esses são os problemas que transformaram em pesadelo o sonho da casa própria dos moradores da rua Noel Paula, no Residencial Palermo. As residências foram adquiridas por meio do programa federal Minha Casa, Minha Vida e executadas pela construtora Archecon. Os moradores culpam a construtora pelos problemas, mas a empresa, por sua vez, diz que a responsabilidade é da empreiteira que executou as obras (veja mais em texto nesta página).

A reportagem do Comércio visitou a rua na manhã da última segunda-feira e constatou que uma das residências em estado mais crítico era a da dona de casa Daniela Solaik Galdino. O local estava com infiltrações e rachaduras nas paredes, inclusive no quarto do seu filho, João Gabriel, 3.

“Antes de me mudar, as paredes dos quartos estavam emboloradas. O problema foi sanado, mas, com as chuvas de dezembro a fevereiro [ela se mudou para a casa em novembro de 2010], ele voltou, e está assim até hoje. O bolor deixa um cheiro muito ruim na casa”, reclama a doba de casa. “Isso aqui era um sonho que a gente tinha, queria dar o melhor para meu filho.”

O vendedor Elias Gomes de Sousa, apesar de não sofrer com infiltrações em sua casa, também reclama de problemas estruturais. Disse que a janela da sua cozinha não foi calafetada e, por isso, está emperrada e não fecha corretamente. Sousa reclama também que a água em seu banheiro não escoa. “Quando você está tomando banho, você não sabe se continua tomando banho ou se joga a água para o ralo com o rodo.”

O casal de pespontadores Djanet Barros do Nascimento e Hailton José Lopes Júnior passa pelas mesmas complicações. Segundo eles, a construtora responsável pela construção das casas, a Archecon, chegou a realizar algumas reformas na residência dos dois, como o conserto das infiltrações, mas algumas imperfeições estruturais permanecem. “A calha e a porta da cozinha não foram arrumadas. A porta da frente foi trocada, mas a maçaneta é muito baixa e ela não fecha direito. A calha é muito pequena, dá retorno e vai causar infiltrações na parede de novo. Se ela for trocada, as infiltrações devem parar”, disse Hailton.

“A construtora também precisa calafetar e pintar o portão. Enquanto ela não fizer isso, não posso colocar vidro nele e tenho que cobri-lo com papelão. Além disso, a calçada em frente à casa é muito fina e quebra muito fácil. É mais areia do que concreto”, completa Djanet.

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