A morte da babá Natália Dias Almeida, 41, na madrugada desta segunda-feira, 8, na rodovia Cândido Portinari (próximo ao Franca Shopping), acendeu - mais uma vez - a luz vermelha entre a população e, certamente, entre as autoridades de trânsito do município. A tragédia, cujos detalhes e causas ainda estão sendo investigados, coloca em destaque o grande número de acidentes envolvendo motocicletas no perímetro urbano de Franca. De acordo com números do Corpo de Bombeiros local, apenas nos dois primeiros meses do ano a corporação atendeu pouco menos de 500 acidentes envolvendo motos, numa impressionante marca superior a 200 por mês e mais de 6 por dia! É de se preocupar, uma vez que, em razão da própria configuração do veículo, acidentes considerados de menor gravidade podem levar o seu piloto (ou passageiro, como Natália) a ferimentos sérios e até à morte.
O caso citado, porém, apresenta um aspecto ainda mais grave, já que se suspeita que a moto que a babá ocupava sofreu duplo acidente e os condutores fugiram sem prestar socorro aos dois ocupantes - o piloto foi internado na Santa Casa de Franca. Este é o componente mais perverso do acidente, uma vez que sempre permanecerá a dúvida: Natália (que seguia para o trabalho) poderia ter sobrevivido se tivesse sido socorrida imediatamente? Ela não teve essa chance.
O trânsito francano, hoje, é considerado até pelas autoridades do setor como muito difícil, principalmente em razão dos seus protagonistas - motoristas e motociclistas, que são maioria. Quando se sabe que grande parte das ocorrências é decorrente da irresponsabilidade e imprudência, percebe-se que apenas a fiscalização da Polícia Militar - que não conta com um contingente que torne eficaz a autuação dos infratores - não é suficiente para que dezenas de vidas sejam poupadas. Não são apenas os motociclistas, como muitos tentam fazer crer, culpados pela situação que estamos vivendo.
Embora qualquer tipo de ocorrência envolvendo motocicletas torne-se sempre mais grave, por causa da falta de segurança que o veículo proporciona a piloto e passageiro, os motoristas também têm a sua parcela de culpa, ao não observar os preceitos básicos de uma direção segura, como a utilização de equipamentos primordiais — e a seta é uma delas. A imprudência ao dirigir em velocidade proibida (em Franca, a velocidade máxima em qualquer rua ou avenida é de 60 km/hora) é outro fator complicador. No caso dos motociclistas qualquer distração é ainda pior, pois uma simples queda pode machucar muito. Então, a necessidade da conscientização de motoristas e motociclistas torna-se primordial, a esta altura, para a redução no número de acidentes de trânsito. Do contrário, continuaremos divulgando casos como a da babá Natália, os quais enlutam e entristecem as famílias francanas.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.