Sem votos contrários, a Câmara autorizou a Prefeitura a alterar o orçamento com a finalidade de investir R$ 3 milhões na compra de cirurgias eletivas em clínicas particulares e nas Santas Casas de Patrocínio Paulista, Ituverava e São Joaquim da Barra. Segundo estimativas do governo municipal, os recursos vão possibilitar a realização de 4.446 procedimentos em especialidades diversas. A unanimidade não significa que a votação da proposta de autoria do Executivo tenha sido pacífica. Vereadores da base de apoio se estranharam com a oposição.
O motivo da desavença foi o fato de o projeto - que previa abertura de crédito no orçamento no valor total de R$ 5,5 milhões - destinar outros R$ 2,5 milhões para serviços de recapeamento. Márcio do Flórida (PT) criticou o aumento da fila de espera no governo tucano - alegou que durante a administração do PT apenas 1,2 mil pessoas aguardavam por uma eletiva - e sugeriu que todo o dinheiro fosse usado na compra dos procedimentos. “A Prefeitura deveria buscar dinheiro para o recapeamento onde há recursos. Como explicar os servidores que não tem recurso para dar aumento salarial, mas tem para comprar asfalto?”
Marco Garcia (PPS) assumiu as dores do governo, afirmou que a administração petista em Franca “não pagava ninguém” e disse que a Saúde não é a prioridade do governo federal. “Dói no meu ouvido, é muita asneira, incompetência. Todas as Santas Casas estão na UTI porque a tabela SUS não é corrigida, mas o governo federal não acorda.” O vereador Cordeiro (PSB) pôs fim às divergências e restabeleceu a paz no plenário. “Este é um projeto para tirar o chapéu, a roupa, tirar tudo.”
Aprovada a autorização para comprar as eletivas, a Prefeitura corre, agora, contra o tempo para credenciar os prestadores de serviço. Segundo a administração, a Santa Casa de Franca não tem capacidade operacional para dar conta da demanda e será preciso fazer o serviço fora. Serão compradas cirurgias nas áreas de oftalmo, otorrino, urológica, vascular, cirurgia geral e ginecológica.
O planejamento da Prefeitura prevê a realização de 750 cirurgias por mês, além das 420 que deveriam ocorrer por meio de acordo com o governo do Estado. Em março, a Santa Casa suspendeu os procedimentos por não conseguir pagar fornecedores e comprar materiais.
O mutirão com recursos do município deve começar dentro de 15 dias. A Prefeitura entrará em contato com os pacientes e passará as orientações referentes ao agendamento de consultas e exames. “O pacote vai atender 42% das pessoas que estão na fila. Sem dúvida, é um passo importante para resolver o problema”, disse Adérmis Marini (PSDB), líder do governo na Câmara.
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