Sessão da Câmara acaba em quebra-quebra, com bombas e sinalizadores onde deveriam reinar o diálogo e a democracia
Restinga parece estar mesmo com sérios problemas, ou pelo menos alguns de seus grupos políticos, que parecem se digladiar decidida e obstinadamente pelo poder. Não bastasse a campanha para prefeito bastante exaltada, os conflitos que surgiram após a posse de Paulo Pit e até mesmo o ataque feito a sua fazenda, agora foi a Câmara Municipal que experimentou a violência que vem se repetindo incessantemente na cidade.
Reportagem publicada por este Comércio na quinta-feira, 04/04, mostrou que a manifestação não se resumiu a ataques verbais, à quebradeira ou à violência física praticada por alguns manifestantes, mas estendeu-se também à utilização de sinalizadores e até mesmo de uma bomba, como se o legislativo da cidade, que deveria ser o espaço simbólico e maior da democracia, se transformasse em um campo de guerra, ou um campo de futebol, o que infelizmente dá quase na mesma nos dias de hoje.
De acordo com o presidente da Câmara, o vereador Fernando Costa (PSB), um homem exaltou-se durante a sessão e começou a agredir verbalmente os vereadores. Não satisfeito com sua agressiva verborragia, esse mesmo homem insuflou o público presente e acabou partindo para a agressão física. A partir daí o tumulto generalizou-se. Vidros e copos foram quebrados, bem como cadeiras foram atiradas. Os quadros de ex-vereadores pendurados nas paredes também não resistiram e acabaram esfacelados no chão. Os estilhaços da bomba se espelharam pelo plenário e os ânimos só foram contidos com a chegada da Polícia Militar.
Felizmente, ninguém se feriu, mas o problema, porém, não se restringe apenas à violência explícita que parece dominar a cidade e ameaçar a integridade de seus cidadãos. O que mais assusta é o que está por trás de tudo isso, os motivos que estão levando a cidade a distanciar-se dos ideais democráticos, como se não tivéssemos aprendido nada nesses últimos 500 anos de existência, com se ainda vivêssemos na barbárie de séculos passados.
A despeito de todos os problemas e rixas entre grupos políticos, que geralmente são mais exacerbados em pequenas localidades, é inadmissível que alguém vá a uma sessão da Câmara Municipal de sua cidade portando sinalizadores que já estão banidos até mesmo dos campos de futebol e uma bomba que obviamente tem sempre a intenção clara de explodir, matar ou ferir.
Atitudes como essas já deveriam estar definitivamente enterradas na lata de lixo de nossa história e Restinga não merece deixar o noticiário político para adentrar cada vez mais nos espaços reservados às notícias policiais. Nesse sentido, é importante que as autoridades competentes investiguem esse episódio com agilidade e rigidez, encontrando os culpados e punindo-os de forma exemplar.
A democracia e toda a região agradecem.
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