Arquiteto entra em disputa do Sesc Franca com certeza da derrota


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O arquiteto Gustavo Borges, 28, observa plantas do seu projeto derrotado para o Sesc, que irá participar de concurso em Singapura
O arquiteto Gustavo Borges, 28, observa plantas do seu projeto derrotado para o Sesc, que irá participar de concurso em Singapura

Apesar de ter nascido em Uberaba (MG), o arquiteto e urbanista Gustavo Alonso Borges, 28, é apaixonado por Franca. E pela arquitetura. Foi o amor que ele sente pela cidade e profissão que o levou a inscrever seu projeto arquitetônico para o prédio do Sesc de Franca, mesmo sabendo que não teria chances de ser escolhido. Ele não cumpria um dos itens do edital.

A história do arquiteto com a cidade se iniciou há 13 anos, quando se mudou para cá. “Foi onde eu formei o meu caráter, e Franca me recebeu muito bem. Gosto da região, da cidade, do clima, das pessoas, de tudo”, disse.

Formado há cinco anos, Borges possui um escritório de arquitetura na cidade e uma filial em Araraquara. Ele ficou sabendo do concurso para a escolha do projeto do Sesc faltando um pouco mais de uma semana do término do prazo, em janeiro deste ano. E, para piorar, o arquiteto não atendia a uma das exigências do edital - ter construído uma obra pública de mais de 10 mil m2.

Mesmo tendo consciência de que estava comprando uma briga que não poderia vencer, Borges resolveu enviar seu projeto. “Eu queria que pelo menos considerassem meu projeto, porque era para a minha cidade, é tudo o que eu quero [para ela]. Eu estava buscando [criar] um marco para Franca.”

Antes de chegar a esse marco, o caminho foi penoso para o arquiteto. Em uma semana, visitou várias vezes o local onde ficará a unidade de Franca, na avenida Alonso y Alonso (leia texto nesta página), e chegou a ficar 38 horas sem dormir para terminar o plano a tempo. “Fico tão apaixonado pela concepção e pelo mérito de conseguir criar um projeto que tenha a ver com a cidade e que vai agregar valor estético para quem for usar, que eu esqueço de tudo.”

O Sesc abobadado de Borges é a fusão de duas ideias distintas, uma relacionada a Franca, e a outra, às próprias especificidades do local. “A forma deveria se acomodar ao terreno, mas eu tinha que amarrá-lo à cidade, para ser um projeto de Franca. Li a história da cidade, e resolvi trazer as três colinas para o projeto. Depois, pensei no que o Sesc tem de legal. Comecei a ler um livro para ver se despertava alguma coisa, e quando segurei uma página, me inspirei nessa forma, das folhas sendo passadas. Com as páginas virando, as histórias vão sendo contadas. Isso remete à hora do entretenimento, da distração, quando você está no Sesc.”

O projeto de Borges ainda inclui um átrio central, iluminado, arejado e que conta inclusive com vegetação. Sustentável, o projeto previa a inserção de grama até mesmo no teto, assim como um sistema de ventilação que iria dispensar máquinas de ar-condicionado.

Mas o sonho teve um fim. Quando os vencedores do projeto - o consórcio de escritórios SIAA MPDM Arquitetos Ltda e Apiacás Arquitetos Ltda, de São Paulo - foram anunciados no final de março, Borges não conseguiu evitar a sensação de derrota. “Eu me senti frustrado. Eu estou cansado de ver essa mesmice na arquitetura, de prédios quadrados e retos. Não que eu os considere ruins, mas uma arquitetura que se disponha a trabalhar com cultura e pessoas tem que despertar algum sentimento, alguma curiosidade.”

Contudo, ainda há futuro para o projeto do arquiteto, que está concorrendo no World Architecture Festival. O concurso acontece em Singapura em outubro deste ano. “Esse é o projeto que tem potencial para concorrer lá fora e, às vezes, não é valorizado aqui no Brasil. Eu acredito na arquitetura que faço, não quero que seja apenas um sonho. Quero colocar a minha marca na arquitetura.”

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