É provável, caro leitor, que, se você não for um exímio apreciador de queijos exóticos ou um viajante acostumado a aterrissar na Europa e experimentar suas iguarias culinárias, desconheça o sabor de um legítimo queijo feito a partir de leite de cabras. O produto, muito comum em países como a França, ainda é pouco consumido - e produzido - em terras tupiniquins. Culpa principalmente da falta de conhecimento de produtores para investir nesse mercado e dos consumidores em apreciar a especialidade. Outro freio importante é o preço mais salgado que o dos queijos tradicionais - em média R$ 50 o quilo contra os R$ 15 do queijo feito com leite de vaca.
Não há números oficiais sobre a caprinocultura (criação de caprinos - cabras e bodes) no Estado de São Paulo. A Capripaulo (Associação Paulista dos Criadores de Caprinos) não fornece o número de associados, mas de acordo com uma pesquisa informal feita pelo Comércio, o único capril com produção de leite e queijos na região fica em São Joaquim da Barra e pertence ao engenheiro químico Joaquim Matheus Freire Ferreira, de 31 anos, e à mulher dele, a psicóloga Kathleen Ferreira, 30.
Considerados uma especialidade, os queijos de cabra ainda têm valor de mercado alto e, por isso, atendem a um nicho específico. Esse mercado, porém, pode estar prestes a começar a mudar graças ao empreendedorismo do casal, que se mudou há quase três anos para a região de Franca, em São Joaquim da Barra. Os dois hoje têm um capril com 40 cabras da raça saanen, um bode para procriação e produz mensalmente cerca de 150 quilos de queijo.
Na mesa, o sabor e a textura dessa iguaria são diferentes do queijo de vaca, com gosto um pouco mais forte, ligeiramente mais picante, mas igualmente agradável ao paladar.
De família tradicional na produção de leite no Vale do Paraíba, o engenheiro químico Joaquim Matheus começou a criação por sugestão da sogra e, com a ajuda técnica de um veterinário, viu o negócio prosperar e passou a investir mais na produção.
A criação de cabras é mais lucrativa que a de gado leiteiro e o animal oferece benefícios em relação à vaca. O primeiro, segundo Joaquim, é o ciclo menor de reprodução e, consequentemente, crescimento mais rápido do rebanho. “Uma cabrita de um ano está pronta para dar cria. A vaca, com essa mesma idade, ainda não. Além disso, a cabra come menos, tem uma capacidade maior de conversão do alimento em leite e precisa de um espaço muito menor para viver. Na ponta do lápis, compensa”, disse ele.
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Em 2010, atrás de uma proposta profissional, Joaquim e Kathleen se mudaram com os dois filhos - e as cabras - para São Joaquim. Hoje vendem toda a produção de leite e quatro tipos de queijo. O caprino italiano, chevre a l’huile, boursin e tipo o coalho (veja quadro). Parte vai direto para o consumidor final e parte para buffets e alguns restaurantes. O litro do leite custa R$ 3,50 e o valor do quilo de queijo varia entre R$ 30 e R$ 50.
A luta de Joaquim e Kathleen é hoje para tornar o produto mais conhecido e, quem sabe com isso, conseguir baratear a produção e levá-la para todas as classes sociais.
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