Ivo Faria: um grande chef em Minas


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Especialista é um caso raro de talento excepcional atrelado à disciplina
Especialista é um caso raro de talento excepcional atrelado à disciplina

Temos a tendência natural de olharmos para São Paulo quando queremos o melhor que podemos alcançar, pode não ser o melhor do mundo, mas estará, em maior ou menor grau, ao alcance das mãos. Nossa capital é referência nas mais diversas áreas de atuação, chegando muitas vezes a ter sim um dos melhores do mundo. A gastronomia, certamente, se enquadra nisso, porque é comparável às outras grandes capitais. O mundo fala de São Paulo e São Paulo fala o idioma de todo o mundo. Só devemos muito ainda à culinária asiática, de modo geral.

Mas, enfim, não é de lá que quero falar. Há um mundo de comida boa por aí, que faria valer o passinho para trás ao invés de mais uma vez nos esticarmos Anhanguera à frente.

Um ótimo motivo para isso é a excelência do chef mineiro Ivo Faria, que há quase 20 anos comanda um maravilhoso restaurante na capital mineira, o Vecchio Sogno, de influência italiana, mas com franca utilização dos produtos da terra. Eu poderia dizer que, desde que leio e pesquiso sobre gastronomia, o nome Ivo Faria me parece uma unanimidade de talento e caráter.

Quando perguntado sobre o porquê da escolha dessa profissão, ele prefere a resposta transcendental e diz que ele é que foi escolhido. Aos 14 anos, órfão de pai e mãe, fez-se urgente a necessidade de alguma profissionalização e ele bateu às portas do Senac. E lá estava ela, a gastronomia lhe sorrindo com todos os dentes. E desde então só brilhou -e muito. Ganhou uma bolsa de estudo na clássica escola de culinária suíça: o Centre Internacionale de Glion. Formou-se em nutrição e se especializou-se em dietética - apesar da origem pobre, os estudos sempre foram prestigiados na família do chef.

Ivo é um caso raro de talento excepcional atrelado à disciplina, aquela combinação perfeita que, quando há, não tem pra ninguém. Prova disso é que a Veja Belo Horizonte o elege como chef do ano por, nada mais nada menos, 12 anos! Sendo os últimos 11 anos consecutivos! O que faz dele e do restaurante quase uma instituição mineira.

Sua admiração e respeito Ivo dedica àquele que foi seu primeiro mestre na gastronomia: Lucien Iltes, professor, francês, cuja cadeira foi mais tarde ocupada pelo próprio Ivo, que durante anos lecionou no Senac.

Mas o sucesso é amigo do chef, que sabe que a cozinha de um restaurante, além de gostosa, tem de estar ancorada nos custos de produção do prato e de toda a estrutura. Por isso, em 2011, abriu a Casa Infinita. Como o próprio nome sugere, ela é infinita em possibilidades, de tudo um pouco. Padaria, lanchonete, restaurante informal e café. O preço não é baixinho, também pudera. Li sobre alguns hits do lugar e, com a competência de Ivo, não tem como ser menos que delicioso.

Há muito, o trabalho do chef extrapolou a barreira do privado e dos negócios bem sucedidos para se transformar em algo bom para a sociedade. A brigada do chef é constituída em quase 90% de garotos de origem muito simples, como ele próprio foi um dia. Alguns, egrégios de instituições correcionais, pois, durante um tempo, Ivo também lecionou na Febem e levou com ele alguns “meninos problemas” para uma chance entre forno e fogão.

Para mim, uma história pessoal de grande sucesso, não só pelo acúmulo de prêmios e dinheiro que ele deve ter, mas porque saiu da pobreza com dignidade, sem se esquecer de que foi de lá que veio. E continuamente tem os sonhos alimentados pelos inúmeros “Ivos” que enxerga em cada garoto pobre que por ali entra e sai.

DICA DA SEMANA

Caquis

Em grande quantidade e com preços bem atrativos estão os caquis fuyu. Originado do Japão e da China, nosso clima tropical lhes caíram como uma luva e são cultivados em praticamente todo o Brasil.

O caqui é rico em um componente fundamental para manter a saúde: o betacaroteno, que atua como antioxidante e combate à formação de radicais livres. Ótimos para nossa juventude.

“Ele é essencial para a visão, unhas e cabelos e auxilia o desenvolvimento ósseo. Além disso, retarda o envelhecimento precoce do organismo”, afirma Eneida Gomes da Cunha Ramos, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). “E o caqui é fonte ainda de licopeno, um fitoquímico com importante atuação na defesa do organismo.”

Confesso que nunca gostei muito deles, mas resolvi explorá-los esse ano. Encontrei na internet uma receita que adaptei e o sabor dos caquis muito me surpreendeu. Os fiz de geleia num bolo. É fácil: pegue cerca de 400 gramas de polpa de caqui maduro, amasse-a. Polvilhe o fundo de uma forma de bolo com 50 gramas de açúcar e 25 gramas de manteiga gelada em pedacinhos. Bata um bolo de massa mais firme e jogue por cima. A geleia que se forma no fundo do bolo ficará idêntica ao abricot ou geleia de damasco.
 

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