O Japão, como se sabe, é um país de tradições milenares. Sua cultura é admirável e, se os festivais que o povo nipônico realiza o enche de entusiasmo e fascínio, dentre suas tradições mais respeitáveis há que se destacar o carinho que é dispensado a seus idosos. Um estudo não muito aprofundado da cultura japonesa evidencia que é costume tradicional o idoso ser sempre ouvido com respeito, porque respaldado na experiência acumulada ao longo da existência.
Cabe ao filho homem mais velho zelar pelos pais, evitando, tanto quanto possível, a internação em casas de repouso. Para surpresa de todos, e contrariando tais costumes, entretanto, a imprensa divulgou que os dirigentes japoneses estão pedindo aos familiares e mesmo aos próprios idosos, que evitem apelar para medicamentos e recursos técnicos que possam prolongar a vida, onerando os custos do governo com assistência médica e hospitalar.
Em outras palavras, objetivam que os idosos procurem morrer mais depressa, aliviando as contas públicas. Vale dizer, buscam fins que, pretendem, justifiquem os meios imorais.
É, então, que o país, admirado pelo respeito aos idosos, pede apressamento na morte daqueles que ajudaram a construir a nação, esquecendo-se de que são eles que aguentaram as consequências de dolorosos e trágicos impactos, ora vindo da natureza, ora de irmãos de outras terras, como as bombas atiradas contra Hiroshima e Nagasaki.
No nosso míope entendimento, trata-se de uma visão muito utilitarista da vida. Acostumados ao descartável, estamos admitindo que uma vida só interessa enquanto produtiva.
Se não produz, descarta-se, como se fosse um objeto! É como o abominável costume da antiga Esparta, que se desfazia dos idosos, deficientes e aleijados, em desrespeito à vida, simplesmente ignorando tratar-se do bem de maior valor, consubstanciado na sublime oportunidade de o espírito redimir-se de seu infeliz passado culposo.
A vida é uma bênção de Deus! E como ficam os sentimentos daqueles que tanto fizeram pela vida de seus filhos e de seu povo? Agora, que mais necessitam do amparo dos que, gastando, ajudaram a viver, são intimados a abandonar a vida, para evitar despesas?
É a sublimada oportunidade da madureza física que desejam abreviar! Tais medidas denotam ignorância de quão importante é para o espírito a permanência na vida corporal, especialmente na fase etária que melhores condições remissivas oferece a um espírito em preparativos para abandonar o mundo das formas.
A vida é uma concessão divina, e só a Deus pertence o direito de extingui-la. A mais ninguém, quaisquer que sejam os expedientes ou justificativas adotados para cumprir-se o pretensioso objetivo. Acima dos custosos meios de conservá-la devem estar os sentimentos, as emoções, o amor e, sobretudo, o significado de sua existência.
Respeito à vida, porquanto, é a mais nítida evidência de evolução cultural de qualquer povo.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.