Usado tradicionalmente em saladas, filé à parmegiana e pizzas, o tomate se tornou nas últimas semanas o grande vilão dos varejões. Em Franca, um quilo do produto era encontrado ontem por até R$ 9,50. O valor foi considerado um recorde pelos varejistas e comparado ao preço de um quilo de carne, como costela e acém. A alta assustou donas de casas e fez com que restaurantes e lanchonetes reduzissem o uso dos produtos em seus pratos.
Segundo os comerciantes, a elevação no preço começou há cerca de três semanas e é motivada pela entressafra, que neste ano foi ainda mais rigorosa em razão da variação climática. Como choveu muito nas regiões produtoras, o fruto não cresceu e o resultado foi a falta do produto no mercado.
O dono do varejão da Fazenda, José Engler Pinto Neto, disse que a produção caiu porque o tomate não encontrou uma temperatura ideal para se desenvolver. “O clima não ajudou, choveu muito. Mesmo quem produz tomate em estufa teve problemas.” De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), o excesso de chuva provocou o aumento da incidência de doenças bacterianas, que reduziu significativamente a produtividade das lavouras.
Para um dos proprietários do Irmãos Patrocínio, Pedro Patrocínio, o aumento obedece a lei da oferta e procura. “Como começou a faltar o produto e o consumo se manteve, o preço subiu.”
Ontem no Ceagesp em Franca, uma caixa de tomate maduro era vendida a R$ 80, enquanto que a caixa de tomate cereja ou caqui não saía por menos de R$ 120. “É inaceitável, alguém deve estar ganhando em cima. O tomate é um produto regionalizado e nada justifica esse aumento”, disse o carteiro José Carlos da Silva, que ontem ficou espantado ao ver o preço do quilo do fruto. “Sempre tenho o hábito de comprar tomate para salada, mas agora vai ter que esperar ou substituir por uma cenoura ou beterraba.”
No varejão Bonatti do Jardim Aeroporto 3, o gerente Marcos Roberto da Silva disse que os clientes começaram a comparar o preço do tomate com os da carne. Com o preço em alta, a procura começou a cair e Silva também passou a diminuir o número de caixas compradas para revenda. As 50 caixas semanais adquiridas anteriormente foram reduzidas para 20.
Também indignada com o preço do quilo, a manicure Bruna Madureira disse que enquanto não houve uma queda vai retirar o tomate da mesa. “A gente troca por uma abobrinha, come só alface e faz até churrasco sem tomate.”
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