Cade veta e fusão Unimed e Regional acaba anulada


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O presidente da Unimed Franca, Otto Cezar Barbosa Filho, disse que ainda não sabe como será a reversão das operações unificadas
O presidente da Unimed Franca, Otto Cezar Barbosa Filho, disse que ainda não sabe como será a reversão das operações unificadas

A maior operação financeira do setor de saúde de Franca terá de ser revista. Avaliada em R$ 45 milhões, a compra do Hospital Regional pela Unimed Franca foi reprovada nesta quarta-feira pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e terá seus efeitos anulados.

A compra foi a julgamento na tarde de ontem. Por unanimidade, os conselheiros entenderam que a fusão das empresas resultaria em um alto grau de concentração e decidiram votar contra. “Na prática, essa aquisição significava concentrações elevadíssima tanto em termos de hospitais como de planos de saúde. Para se ter uma ideia, na quantidade de leitos, 85% dos leitos da cidade ficariam na mãos da Unimed e, em termos de planos de saúde, 90%. Uma operação dessa é muito maléfica para o município”, disse o relator do processo, o conselheiro Elvino de Carvalho Mendonça.

Com a reprovação, o conselheiro disse que passa a valer o Apro (Acordo Prévio de Reversibilidade da Operação) assinado pelas duas empresas no ano passado. “Por este acordo, a Unimed deve voltar a atuar como antes da compra. O mesmo acontece com o Hospital Regional. Tudo deve retornar ao seu status quo. Neste documento, estão todas as regras para isso”. O conselheiro não falou sobre prazos ou punições para as empresas.

Em uma entrevista concedida no final de fevereiro, o médico Otto Cezar Barbosa Filho, presidente da Unimed, afirmou que 55% dos serviços de ambas as empresas já estavam operando em conjunto. “Agora essas operações terão de ser revistas”, disse Mendonça.

Para Otto Barbosa, apesar do Apro, a forma como deverá ser feita a reversão e quais serviços terão de ser revistos ainda não estão claros. “O parecer emitido hoje pelo Cade não é claro sobre esses pontos. Vamos pedir esclarecimentos pois ainda não sabemos como deveremos agir”, disse ontem por telefone enquanto embarcava para São Paulo.

Otto garantiu que, enquanto não obtiver uma resposta do Cade sobre como proceder, os atendimentos prestados aos usuários serão mantidos como estão. “Não vamos tomar nenhuma medida desesperada. Vamos esperar até termos uma orientação. E quero deixar claro que todas as medidas que forem tomadas serão comunicadas aos usuários das duas empresas”.

O presidente do Hospital Regional de Franca, o médico Alberto Costa Filho, lamentou a reprovação e disse que também irá aguardar por uma orientação do conselho. “Nós sempre acreditamos que a operação seria aprovada. Agora teremos que sentar e discutir como e se faremos a separação dos serviços que já funcionam em conjunto”.

Os dois presidentes descartaram a possibilidade de recorrer judicialmente da decisão do Cade. “Vamos acatar o que foi decidido. Agora seguiremos com nossas vidas separadas”, disse Otto.

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