MP vai investigar uso de dinheiro público em evento promocional


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Promotor de Justiça Paulo Borges cobrará explicações dos vereadores envolvidos na ‘farra das medalhas’
Promotor de Justiça Paulo Borges cobrará explicações dos vereadores envolvidos na ‘farra das medalhas’

Os vereadores que usaram dinheiro público para participar de evento de promoção pessoal em São Paulo vão ter que dar explicações ao Ministério Público. O promotor de Justiça Paulo Borges abriu, ontem, procedimento preparatório de inquérito civil para apurar o episódio da “farra das medalhas”. Comprovando-se as irregularidades, eles podem responder por improbidade administrativa. A Comissão de Corregedoria da Câmara também vai investigar a conduta de Valéria Marson (PSDB), Pastor Otávio (PTB) e Nirley de Souza (DEM).

No mês de fevereiro, os três vereadores requisitaram verba da Câmara para bancar a participação em uma homenagem paga em São Paulo por terem sido os mais votados nas eleições de outubro. Eles participaram de um seminário promovido pelo Instituto Tiradentes, onde receberam a medalha “Ulisses Guimarães Mérito Eleitoral” pelo desempenho obtido nas urnas. O certificado de participação acompanhado da medalha custou R$ 397 para os “homenageados”.

A Promotoria vai apurar se, além do transporte e da hospedagem, os vereadores também usaram a verba para pagar a própria medalha que receberam. “O que nos preocupa, antes de tudo, é a utilização do dinheiro público para custear despesa com evento de caráter promocional e particular. O instituto pode ser sério e ter uma finalidade de congraçamento dos vereadores, mas é particular e a entrega de medalha é extremamente de caráter promocional”, afirmou Borges.

O promotor vai requisitar à presidência da Câmara os documentos e as justificativas apresentados pelos vereadores envolvidos para uma análise. A disparidade dos valores terá que ser justificada e comprovada. Configurado o mau uso do dinheiro público, será instaurado um processo. “A gente quer saber o que aconteceu. Os vereadores vão ter que se explicar e terão o direito de se defender. Ao final, vamos decidir se o procedimento desemboca numa ação de improbidade administrativa com até perda dos direitos políticos.

“A seriedade do problema é demonstrada pela preocupação da própria administração da Câmara. Os trabalhos podem ser, inclusive, compartilhados. A Corregedoria deve buscar, na verdade, não o espírito corporativo, mas a transparência na investigação e a responsabilização, se for o caso.”

No âmbito da Corregedoria, os vereadores podem ser obrigados a devolver o dinheiro e ser denunciados ao Conselho de Ética e Disciplina.

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