Tem alguma coisa errada


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Causa preocupação a todos que acompanharam o vai e vem que envolveu a construção e liberação do viaduto da Major Nicácio a informação divulgada na edição de sexta-feira passada pelo Comércio de que pelo menos quatro prédios da Secretaria Municipal de Franca - que estavam prontos ou em vias de serem entregues - enfrentam problemas em sua execução. Além do transtorno causado aos estudantes destas unidades, que tiveram de ser transferidos para outros estabelecimentos, é de se estranhar a descoberta de atrasos no andamento e danos estruturais que impedem a ocupação ou funcionamento normal dos imóveis. Assim como o viaduto ‘Dona Quita’, só depois da obra terminada é que a Prefeitura ‘descobriu’ as falhas. Ao que parece não houve, durante a construção, um acompanhamento mais próximo dos engenheiros e técnicos da área que fosse capaz de corrigir os defeitos ainda durante esta fase.

O que não se entende é que, para impedir o funcionamento dos prédios - que abrigariam centenas de alunos -, a Prefeitura aponte erros de execução no projeto de construção. Não se pode conceber a inexistência de um acompanhamento do trabalho realizado, conforme se depreende pelas informações prestadas à reportagem do Comércio. Certamente, qualquer profissional especializado detectaria desvios na execução do projeto original. Aparentemente, foi o mesmo que aconteceu ao viaduto ‘Dona Quita’.

Assim, mais uma vez será preciso gastar mais dinheiro para que os defeitos sejam corrigidos e os estudantes possam ocupar as salas de aula sem o perigo de que o telhado desabe sobre suas cabeças ou que a quadra coberta caia e cause uma tragédia, caso esteja cheia de crianças - que é o caso da EMEI ‘Frei Germano Annecy’, no Parque Progresso. E outros estabelecimentos - incluindo aí até creches - dependem de obras estruturais para funcionar, o que ainda deve demorar para acontecer. Aliás, pelo menos nas duas Emeis que apresentaram falhas, só se descobriu que tinha alguma coisa errada depois de chuvas que evidenciaram os problemas.

Felizmente, nenhuma criança foi atingida. No final das contas, de positivo apenas a decisão do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) em determinar uma varredura geral para saber em qual estado se encontram os prédios que abrigam escolas e creches na cidade. O que não se entende é por que não se fez algo antes? Onde estavam os técnicos e engenheiros da Secretaria de Obras durante a construção? E se as chuvas não tivessem ocorrido, o perigo continuaria sobre a cabeça destas crianças?

São perguntas ainda sem respostas e para as quais a Secretaria de Obras - que vem sendo alvo de críticas e cobranças desde o ano passado - precisa dar um esclarecimento. Afinal, ainda não se sabe de quem é a culpa dos problemas estruturais na construção do Viaduto da Major Claudiano e não houve uma posição oficial plausível para o caso da terra de cemitério na Praça Zumbi dos Palmares e para o uso indiscriminado dos caminhões da mesma secretaria. O eleitor - e contribuinte francano - precisa saber o que vem acontecendo para que se repita de forma sistemática esta falta de cuidado, de atenção e mesmo de fiscalização da pasta responsável pelas obras públicas em Franca.

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