A defasagem do salário pago aos trabalhadores da indústria de calçados de Franca é sentida na rotina da família da coladeira Aparecida de Fátima Jonas, 47, moradora do Jardim Aeroporto II. Ela ganha cerca de R$ 820 ao mês trabalhando numa pequena banca de pesponto. Seu marido, o frentista José Jonas, 62, recebe R$ 1 mil de benefício. Ele está afastado do emprego há dois anos do trabalho por causa de um câncer. O casal tem dois filhos, Diego, 25, e Marcos, 13, que não trabalham.
A renda da família é em média R$ 1.800 por mês. Com esse valor é como se cada um dos quatro tivesse cerca de R$ 15 por dia para todos os gastos. Sobreviver com esse valor tem exigido malabarismos. Só com supermercado, aluguel e farmácia eles gastam R$ 1 mil todos os meses. “Às vezes, temos de fazer milagre”, diz ela.
Para poder pagar todas as contas, Aparecida economiza. “De uns anos para cá, abri mão de comprar muita coisa, principalmente das guloseimas para o meu filho mais novo. Agora, é mais o básico, o essencial mesmo que eu levo.”
Ela disse que a situação só não é pior porque a família ganha uma cesta básica por mês do patrão de José. “Hoje a conta do supermercado chega a R$ 500 por mês, mas cinco anos atrás era de R$ 200.”
Os cortes também atingiram o lazer da família. “Antes, costumava sair e viajar. Agora não faço, acabou. Às vezes, o meu caçula quer passear, ir ao shopping e eu fico aflita porque não tenho dinheiro. Em casa, é tudo controlado.”
Para Aparecida, os aumentos dados à categoria não acompanham a alta de preços e custos, o que faz com que seu orçamento fique ainda mais apertado. “É muito complicado viver ganhando tão pouco. Queria ter um salário melhor”, desabafou. (Bruno Piola)
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.