No dia 19 de abril de 1935, em reunião pública realizada no Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo (MG), o médium Francisco Cândido Xavier psicografou do espírito Humberto de Campos – que, quando na carne fez-se respeitado por suas obras literárias –, reveladora mensagem na qual relata interessante encontro ocorrido entre o autor e o espírito Judas Iscariotes nas cercanias de Jerusalém.
O importante a considerar-se é que Humberto de Campos teve a oportunidade de interrogar Judas sobre os acontecimentos que culminaram na crucificação de Jesus.
Segundo o texto psicografado, Judas foi vítima das circunstâncias e do clima político vigente à época. O povo hebreu, segundo suas tradições e a interpretação que dava às palavras dos profetas, aguardava o Salvador que, em nome de Jehova, e mediante a utilização de armas, viria para romper o jugo que os romanos exerciam sobre os judeus que, vivendo uma política efervescente e um ambiente belicoso, ansiava pela solução libertadora.
Judas, que era de Keriot, convivendo com o Messias e assistindo-lhe os impressionantes milagres, logo percebeu a Sua grandeza, deixando dominar-se pela certeza de que estava no poder do Mestre a libertação daquele povo da opressão romana, certo também de que, com tal expediente, as escrituras se fariam cumprir.
Contudo, deixou-se levar pela falsa suposição de que, aplicando em Jesus uma cilada, haveria Ele de convocar suas hostes angelicais e promover a tão sonhada revolução.
Enganou-se, porquanto Jesus não veio para conquistas materiais. Não lhe interessava a glória do mundo. Não desejava colocar povo contra povo. ‘Meu reino não é deste mundo’, asseverou. Não se tratava de um novo rei na Terra. Era, antes, o guia da humanidade, o orientador de todos, sem privilégio, tendo como instrumento a Lei do Amor: ‘Amareis a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos’. E na sua expressão, embora tranquila – ‘um de vós me trairá’ –, estava a evidência de que Ele sabia, perfeitamente, o que Lhe viria a acontecer.
Por outro lado, como se verifica no relato bíblico, o Mestre tem em Judas um discípulo muito estimado, a quem chama de amigo.
Vê-se que, pelo infeliz episódio a que deu causa, não há porque execrarmos Judas Iscariotes, já que Jesus, que julgamos sua vítima, nos ensinara a amar e que amor implica perdão incondicional.
Enfatize-se, igualmente, na referida entrevista, que Judas valeu-se da oportunidade para redimir-se perante os homens, ao dizer-se plenamente quitado com a sua consciência, graças a encarnação posterior, na qual foi igualmente traído e vendido, terminando seus dias na fogueira. Curiosa informação que confirma ter ele revivido em corpo físico como Joana D’Arc, a jovenzinha que libertou o povo francês do domínio inglês. É assim que as infinitamente sábias e justas Leis Divinas concedem a cada um a misericordiosa oportunidade de quitar-se naquilo de que se acusa a própria consciência.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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