Vereadores usam dinheiro público para participar de evento de promoção pessoal
A postura pode até ter sido legal, mas não há dúvidas em relação à imoralidade da atitude protagonizada por três vereadores que foram eleitos no dia 7 de outubro para defender os interesses da sociedade. No mês de fevereiro, Valéria Marson (PSDB), Pastor Otávio (PTB) e Nirley de Souza (DEM) participaram de um seminário em São Paulo, onde receberam a medalha “Ulysses Guimarães Mérito Eleitoral” por terem sido os mais votados nas últimas eleições. Campeã de votos, Valéria levou “ouro”, o pastor “prata” e Nirley o “bronze”. O certificado de participação acompanhado da medalha custou R$ 397 para os “homenageados”. A viagem e hospedagem para o evento de promoção pessoal dos políticos foram bancadas com recursos públicos.
As informações sobre a farra das medalhas são públicas e estão disponíveis no site da Câmara. Basta acessar o link contas públicas e depois clicar em despesas de vereadores com viagens no exercício 2013. Será fácil notar que os nobres edis conseguiram a proeza de apresentar três valores diferentes por terem participado do mesmo evento.
O mais econômico foi Nirley de Souza, que declarou uma despesa de R$ 587,19. A participação de Valéria Marson saiu por R$ 947,09. Já o pastor parece ter feito o milagre da multiplicação dos gastos: R$ 1.408,30. A discrepância dos valores apresentados já seria suficiente para a abertura de uma apuração pelo Ministério Público.
Mas não é só. No relatório entregue à presidência da Câmara (não disponível no site) para comprovar a participação no evento e justificar as despesas que são arcadas com o dinheiro oriundo dos impostos pagos pelos contribuintes, pastor Otávio declarou. “A viagem transcorreu de forma prevista, com saída de São Paulo às 14 horas do Terminal Rodoviário do Tietê, tendo embarcado no ônibus da Viação Cometa e chegado a Franca por volta das 20 horas”.
Foi disponibilizado para o vereador R$ 1.204,89 a título de diária e R$ 72 para comprar a passagem. Agora, se segure na cadeira raro leitor. Segue a declaração do pastor. “Para o motorista (imagino que seja o da Câmara) foi disponibilizado R$ 283,62 a título de diária e R$ 250 para despesas com o combustível”. No relatório, o vereador não explica como foi requisitada verba para custear o carro oficial se ele mesmo declarou no parágrafo acima ter viajado de buzão. A Câmara e os órgãos que deveriam controlar os gastos dos políticos com dinheiro público estão dizendo amém.
Puxa-saco, eu?
Enquanto isto, a Câmara aprovou a concessão do Título de Cidadão Francano para o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) terça-feira. “Não é puxação de saco, não. Precisamos reconhecer os méritos das pessoas”, disse Valéria Marson.
Oposição, eu?
Pastor Otávio foi um dos que assinaram a proposta de abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar as irregularidades nas obras de construção do viaduto da Avenida Major Nicácio. O vereador não se fez de rogado e levou a mãe, Zoraide Maria Silva Pinheiro, para ver a “beleza” da obra no dia da inauguração. Feliz, ao fim do evento em que ocupou lugar entre as autoridades, o pastor cruzou a tal ponte escantilhada buzinando o seu carango. Fom, fom.
Juntos de novo
Adversário de Alexandre Ferreira (PSDB) na campanha eleitoral, o deputado Gilson de Souza (DEM) deixou as divergências de lado e subiu no palanque ao lado do prefeito para acompanhar a inauguração do viaduto. Os “aliados” Roberto Engler (PSDB) e Ubiali (PSB) ignoraram a entrega da polêmica obra.
Chame a polícia!
Golpistas tiveram acesso ao CPF do vereador Daniel Radaeli (PMDB) e usaram os números para habilitar uma linha de celular em São Caetano do Sul. Para quem não está ligando o nome à pessoa, Radaeli é o chefe da Delegacia de Investigações Gerais de Franca. Ah, ele também responde pelo Centro de Inteligência da Polícia Civil.
Magoei
O clima azedou entre Luiz Vergara (PSB) e Márcio do Flórida (PT) na Câmara. Vergara acusa o petista de plagiar suas ideias. Na última sessão, ambos apresentaram emendas para tentar aumentar o índice de reajuste salarial para os servidores.Vergara alega que teria os votos suficientes, mas que foi prejudicado pelo colega que o teria copiado e dividido os votos. Situação semelhante teria ocorrido no episódio de abertura da CEI para investigar o viaduto. A ordem no staff de Vergara, agora, é boca de siri e conversar ao pé do ouvido para evitar vazamento.
A mãe é ela!
Não entendi se a intenção do prefeito “emérito” foi elogiar ou lavar as mãos. Após encerrados os discursos na inauguração do viaduto, Sidnei Rocha voltou ao microfone e disse. “Havia me esquecido de dizer. Quem fez o projeto do viaduto foi a Valéria Marson.”
Programa para o feriadão
Por hoje é só. Vou fazer um tour pelo viaduto. Bom feriado a todos.
Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br
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