Uma ação do Ministério Público de São Paulo deixou a pequena Restinga em polvorosa na tarde de ontem. Uma equipe coordenada pelo promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges esteve na Prefeitura para apreender documentos e um computador. A notícia da força-tarefa logo se espalhou pela cidade. Houve até aglomeração de pessoas em frente ao prédio onde funciona a sede da Prefeitura, no Centro da cidade.
O promotor disse que a apreensão de documentos e do computador da Prefeitura de Restinga faz parte das investigações que ele vem comandando desde o início do ano para apurar desvio de dinheiro público e irregularidades na administração municipal. “Agora vamos analisar todos os dados que obtivemos e decidir como iremos prosseguir com as apurações. Não posso dar muitos detalhes para não prejudicar nosso trabalho.”
Paulo Borges disse que os documentos apreendidos se referem às fichas analíticas de pagamentos feitos nos últimos cinco anos a 21 servidores da Prefeitura. “Eles foram beneficiados em abril do ano passado, sem justificativa nenhuma, por aumentos salariais que chegam a mais de 290%. Queremos saber se não houve mais aumentos e quanto cada um recebeu do Poder Público Municipal.”
Além das fichas cadastrais, o promotor ainda requisitou uma cópia de todos os registros do servidor que alimenta os computadores da Prefeitura. “Conseguimos tudo o que precisávamos. Agora terei que me debruçar sobre tudo para ver se há irregularidades e quem são os responsáveis.”
Ainda na cidade, o promotor aproveitou para ouvir o depoimento da encarregada pelos pagamentos do setor de Recursos Humanos de Restinga. O nome dela não foi divulgado.
O promotor disse que as investigações continuam e que novas diligências à cidade vizinha não estão descartadas. “Não posso dar muitos detalhes porque nossa investigação ainda está muito no início. Mas assim que tivermos algo mais concreto, vou informar a todos.”
DENÚNCIAS
Assim que assumiu a Prefeitura de Restinga, em janeiro, o atual prefeito Paulo Pitt (DEM) apresentou uma série de denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas pela gestão anterior. Entre elas estão o aumento a servidores, compras sem processos de licitação, falta de controle e não pagamento de alguns fornecedores.
Ontem ele foi procurado para comentar a ação do Ministério Público, mas como não tinha conhecimento do ocorrido, preferiu não se manifestar. “Estava em São Paulo. Ainda não sei detalhes sobre nada, não consegui conversar com o pessoal da Prefeitura. Mas amanhã [hoje], quando me inteirar do que houve, posso falar”, disse o prefeito por telefone enquanto viajava de volta a Restinga na noite de ontem.
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