Ex-pivô leva Franca Basquete à justiça por carreira interrompida


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David recebe tratamento do fisioterapeuta do clube, Rogério Barbosa
David recebe tratamento do fisioterapeuta do clube, Rogério Barbosa

O ex-pivô do Franca Basquete, David da Silva Teles, acionou o clube na justiça. O ex-jogador entrou com uma ação trabalhista cobrando reparos materiais e morais após a interrupção precoce de sua carreira em razão de uma lesão no joelho. A ação pode resultar na maior dívida judicial da agremiação. Uma audiência está marcada para o mês de julho, em Franca.

Depois de boa passagem por Assis e Brasília, David foi contratado para defender o Vivo/Franca na temporada 2009/2010. No entanto, ele teve sua carreira interrompida devido a uma lesão na cartilagem da patela do joelho direito. O pivô sentiu dores durante uma partida do time contra Brasília, disputada em novembro daquele ano pelo NBB. David foi submetido então a vários tratamentos paliativos e jogou até os playoffs do Paulista, em janeiro de 2010.

Com o encerramento do campeonato, o jogador se submeteu a um processo cirúrgico com o médico do clube, Francisco Rocha. A intenção era se recuperar e voltar às quadras o mais rápido possível. A previsão de retorno era de três meses. Porém, o resultado da cirurgia na cartilagem do joelho direito não foi o esperado e o pivô teve que passar por intervenção. Nesse período, o contrato do atleta foi renovado por mais uma temporada.

Durante todo o tempo, David Teles contou com a assistência do clube, que o encaminhou a uma clínica especializada em Campinas, sob os cuidados do doutor Wilson Melo. Vencido o vínculo oficial, o pivô foi liberado pelo Franca Basquete.

Sem clube e com dores no joelho, David se disse perdido. Segundo ele, três meses depois soube durante consulta em uma clínica campineira que sua carreira estava ameaçada. “Quando fui informado que não voltaria a jogar da mesma forma e seria obrigado a encerrar a carreira, foi uma tristeza total. É ter um sonho interrompido, pois jogar basquete era a única coisa que sabia fazer”, afirmou.

David ainda tentou dar sequência na carreira de atleta, mas se disse “derrotado” pelas dores. Com 30 anos, atualmente o ex-pivô segue sua vida em Presidente Prudente, cidade aproximadamente 500 quilômetros de Franca. Lá, além de cursar educação física em uma universidade, ele trabalha como estagiário em uma escola de iniciação para crianças no basquete. “Tenho uma família e filhos para criar. Essa foi a maneira que encontrei para retomar minha vida e ajudar em casa”, disse.

O advogado campineiro, Filipe Souza, é quem representa o ex-jogador. Em contato por telefone, ontem, Souza informou que trabalha com uma ação por danos materiais e morais contra o Franca Basquete. “Entramos com uma ação para ter o vínculo de trabalho reconhecido, para que os danos que ele suportou sejam reparados pelo clube, como despesas com tratamento, além do que deixou de ganhar com o encerramento precoce da carreira”, constatou.

Sobre o processo, o representante do atleta demonstrou confiança e disse aguarda a audiência. “A ação vem caminhando bem. Houve uma perícia médica que ratificou que a lesão foi causada em Franca e trouxe o fim da carreira dele. Agora esperamos a parte final do processo”, explicou.

Indagado sobre o valor de um eventual pedido de indenização ao clube, o advogado não quis citar valores. Perguntado se o montante ultrapassaria R$ 700 mil, Filipe Souza riu e depois pensou para dizer tratar-se de assunto particular. Em casos do gênero, o cálculo de uma indenização leva em conta o tempo restante de trabalho do atleta. No caso de David, a expectativa é que ele chegaria em atividade normal até 35 anos. Como sua carreira foi abreviada em sete anos, deve-se multiplicar esse número por 12 meses e pela quantia que representava o último vencimento do pivô, o que daria montantes próximos a R$ 700 mil. Além disso, Filipe Souza cobra reparação material, o que elevaria ainda mais a quantia.

A reportagem também tentou entrar em contato com o médico Francisco Rocha, mas a ligação logo em seu início foi interrompida. Em contato junto à sua residência, o mesmo não foi mais encontrado.

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