Muitas pessoas com potencial empreendedor e que fizeram economias durante boa parte da vida nos procuram no Sebrae com a seguinte pergunta: ‘Tenho pensado em iniciar um negócio. Onde devo investir?’
É uma dúvida, aliás, muito pertinente. As possibilidades são inúmeras: lanchonete, sorveteria, papelaria, açougue, floricultura, bar, e por aí vai.
Seja qual for o interesse, em todos os casos orientamos o candidato a empreendedor sobre tudo o que deve ser levado em conta na hora da escolha: aspectos envolvendo análises de viabilidade, estudos de mercado, avaliação da concorrência, percepção de tendências.
No entanto, existe mais um fator que à primeira vista pode parecer romântico, mas que é fundamental e deve ser considerado. Trata-se da paixão.
Junto com o sonho de ser empresário, a paixão exerce um papel muito importante. Está longe de ser um critério científico ou racional, porém, sua importância reside em vários fatores.
A possibilidade de ser seu próprio patrão leva grande parte pessoas com potencial empreendedor a investir em um negócio próprio, mas, após um tempo, descobrem que deixaram de trabalhar 40 horas para os outros e agora trabalham 80 horas para elas mesmas. E tudo sem férias, décimo-terceiro e sem poder reclamar com o chefe.
Se, ainda por cima, o novo empreendedor não gostar do que faz e estiver ali apenas porque a atividade está aquecida, complica mais ainda. Vale lembrar que o mercado é cíclico e atividades extremamente atrativas num dado momento podem deixar de ser, como aconteceu com lan houses e locadoras de vídeo.
O ambiente de negócios no Brasil é complexo e exige dedicação integral do empresário. A maneira como o empreendedor se relaciona e se identifica com aquilo que escolheu está diretamente ligada ao sucesso do empreendimento. Quanto mais entusiasmo pelo negócio, maiores as chances de crescimento da empresa.
Transformar sua paixão numa fonte de renda é mais inteligente, pois você vai trabalhar mais feliz, com brilho nos olhos, transmitindo isso em seu ambiente para clientes, funcionários e fornecedores.
Ao se relacionar com trabalho de forma honesta você valoriza os triunfos e se prepara para novos desafios.
O importante na vida é ter e gerar satisfação.
Bruno Caetano
Superintendente do Sebrae-SP, mestre e doutorando em Ciência Política pela USP
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