Cada ponto de alagamento formado na cidade de São Paulo após uma chuva forte provoca um prejuízo diário de mais de R$ 1 milhão ao País
Com 749 pontos de alagamento identificados na cidade, as perdas anuais no âmbito do município chegam a cerca de R$ 336 milhões. O cálculo é feito com base em perdas decorrentes das interrupções da produção, do comércio e dos serviços, sem considerar danificação de edifícios, veículos e equipamentos, destruição de mercadorias, bens particulares e instalações públicas e atendimento à saúde das pessoas afetadas. Projetado esse prejuízo para as cadeias mais amplas de produção e renda, o total chega a R$ 762 milhões em escala nacional. As informações são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A situação das enchentes é agravada pelas transformações que uma urbanização não planejada ou mal planejada ocasionou no uso da terra, com a ocupação e a impermeabilização das várzeas dos rios, em especial da bacia hidrográfica do Alto Tietê, e a consequente redução da drenagem das águas pluviais durante as chuvas fortes. Além disso, há as chamadas ilhas de calor, geradas na área metropolitana em decorrência da própria aglomeração, que contribuem para a ocorrência e intensificação dos eventos extremos, afirma Eduardo Amaral Haddad, professor da USP e pesquisador na área de Economia das Mudanças Climáticas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), em artigo prestes a ser publicado na revista Habitat International.
Segundo a Fapesp, o estudo do impacto econômico dos alagamentos em São Paulo poderá subsidiar a tomada de decisões nas várias instâncias do governo para minimizar os efeitos das mudanças climáticas globais. Projeções decorrentes de estudos mais abrangentes indicam um aumento na frequência e intensidade de eventos extremos de curta duração e anunciam que o número de dias com chuvas fortes deverá crescer até o final do século. Os paulistanos e os moradores dos municípios vizinhos que acorrem diariamente a seus postos de trabalho na cidade de São Paulo (cerca de 1 milhão de pessoas) terão que se preparar para esses eventos, inevitáveis, segundo os pesquisadores. Com 39 municípios em intenso processo de conurbação e cerca de 20 milhões de habitantes, a região metropolitana de São Paulo é, atualmente, a quarta maior aglomeração urbana do mundo.
Para tentar amenizar a questão das enchentes, o governo do Estado se prepara para grandes investimentos. Semana passada anunciou a publicação de edital de licitação pública para Parceria Público-Privada (PPP) visando construir 45 piscinões na região metropolitana de São Paulo. É a primeira PPP na área de combate a enchentes e terá um prazo de vigência de 20 anos.
Troca-troca
O deputado estadual Barros Munhoz (PSDB) é o novo líder do governo do Estado na Alesp. A informação foi confirmada oficialmente pelo presidente da Assembleia paulista, Samuel Moreira, na tarde de terça-feira, 26. Munhoz assume a vaga deixada por Moreira, por sua vez eleito presidente em 15 de março último em lugar do próprio Munhoz. Munhoz já foi líder do governo Serra na Casa e presidente do Legislativo paulista por dois mandatos consecutivos, de 2009 a 2013. Foi prefeito de Itapira, secretário estadual da Agricultura e Abastecimento e ministro da Agricultura no governo Itamar Franco, além de subprefeito de Santo Amaro na gestão de José Serra como prefeito da capital.
Oposição
Ainda ontem, Luiz Claudio Marcolino assumiu a liderança da bancada do PT na Assembleia. O partido puxa a minoria de oposição ao governo. Formado em economia, Marcolino começou sua militância política no movimento estudantil. Em 1990 tornou-se representante sindical. Em 1995 entrou para a diretoria executiva do Sindicato dos Bancários e foi eleito presidente em 2004 e reeleito em 2007. Em 2011, assumiu o seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa.
Prioridades
O Brasil é um dos países que mais cobram tributos sobre medicamentos. Um dos impostos que mais pesam sobre o valor final dos remédios é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência de cada Estado. Partindo desse princípio, o deputado estadual André Soares (DEM) propõe ao governo do estado a modificação da Lei 6.374, de 1989, de forma a reduzir gradualmente a alíquota do imposto sobre medicamentos e ao mesmo tempo aumentar progressivamente aquela que sobrevem sobre o fumo. “Os produtos que estão ligados diretamente à necessidade da população devem ser menos tributados do que artigos que não são tão essenciais”, opina ele.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
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