A insegurança que cerca o dia-a-dia dos brasileiros em geral - e dos moradores de Franca e região em particular - cresce a cada dia e, aparentemente, não há uma saída possível num país onde a polícia usa revólveres e os marginais portam armas de grosso calibre. O crescimento dos serviços de segurança - cercas, câmeras de vigilância, vigilantes e seguranças - dimensiona bem o que estamos vivendo: os cidadãos de bem trancam-se em suas casas, transformando-as em verdadeiras prisões, enquanto os marginais continuam soltos e agindo com tranquilidade, colocando em risco o patrimônio e a vida dos que não têm condições de cercar e preservar suas famílias e seus patrimônios.
Torna-se ainda mais preocupante a situação ao se constatar que pelo menos nove cidades que integram a Região Administrativa de Franca - de um total de dezessete - não contam com delegado fixo. Isso mostra que os investimentos em segurança pública não estão sendo feitos da forma como anunciados pelo governo do Estado. Há pouco mais de 20 anos, a Delegacia Seccional de Franca contava com 560 policiais civis - a corporação é responsável pela investigação dos crimes cometidos contra a pessoa e contra a propriedade. Atualmente, a despeito do aumento da população em 100 mil habitantes (na década de 1990 eram 230 mil), o efetivo da Polícia Civil encolheu, passando para um contingente de 360 homens para investigar e apurar as ocorrências registradas em Franca e outras 16 cidades da região. E tudo pode ainda piorar, já que o número pode cair ainda mais: 60 agentes estão prestes a se aposentar e deixar a polícia até o fim do ano.
Enquanto isso, não apenas Franca, também os municípios da região veem crescer a criminalidade sem ter como reagir. É preciso que as autoridades locais - incluindo aí os nossos deputados - exijam do governo do Estado uma mudança geral na situação. Afinal, se a polícia não tem condições de investigar a maioria dos crimes aqui verificados - incluindo desde o roubo de uma bicicleta até um homicídio -, a escalada da violência vai continuar em progressão geométrica. Se o bandido não for identificado, preso e condenado, certamente vai continuar agindo despreocupadamente. Ao lado de uma polícia preventiva - a PM, cujo contingente está também defasado -, a polícia investigativa é igualmente importante para a redução dos índices de criminalidade.
Porém, a dificuldade em se renovar os quadros da Polícia Civil é grande. Além do risco a que os agentes policiais são submetidos, a falta de atrativos da carreira policial passa pelos baixos salários. Enquanto não houver uma conscientização de que os profissionais envolvidos com a Segurança Pública precisam ser valorizados, será impossível ter uma polícia capaz de prover integralmente a defesa do cidadão. Recém-formados em Direito buscam o caminho do Judiciário - concorrendo em concursos para juízes e promotores -, já que consideram os riscos do trabalho como delegados de Polícia. Enquanto isso não mudar, dificilmente o quadro será revertido.
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