Durou 19 minutos o depoimento do secretário de Planejamento e Urbanismo, Wilson Teixeira, à CE (Comissão Especial) de acompanhamento das obras do viaduto “Dona Quita”, inaugurado semana passada. Tempo suficiente para ele admitir que a obra tem problemas de drenagem das águas de chuva, que o alargamento do córrego é necessário e que, se fosse ele o responsável, o viaduto seria outro. Teixeira ainda disse que as enchentes vão continuar.
O secretário chegou para depor com dez minutos de antecedência. Seu depoimento estava marcado para as 10 horas de ontem na Câmara. Acompanhado de um dos engenheiros da Prefeitura, responsável pela fiscalização da construção, Marcos Antônio Franceschi, ele levou um exemplar Comércio, do dia 19 de janeiro do ano passado. Esperou na sala de audiências por 20 minutos, até que os membros da comissão chegassem. O primeiro foi o vereador Josivaldo Bahia (PTB), depois Márcio do Flórida (PT). Valéria Marson (PSDB), que completaria a mesa, não compareceu. Antes de assumir o cargo de vereadora, Valéria foi secretária da mesma pasta de Teixeira e assinou o projeto básico de construção do viaduto.
O presidente da comissão, Bahia, pouco falou. A condução dos trabalhos foi de Márcio do Flórida, que deve pedir cópia do depoimento para usar na Comissão Especial de Inquérito, aberta para apurar irregularidades na obra.
Wilson Teixeira começou dizendo que assumiu a secretaria em abril de 2012. Na época, segundo ele, todos os projetos do viaduto, tanto o básico como o executivo, já estavam prontos. “Eu cheguei com tudo já em andamento. Não participei de nada antes. Fui me informar, mas dentro da Secretaria ninguém sabia de nada.” Disse que sua primeira medida em relação à obra foi designar os engenheiros Marcos Antônio Franceschi e Eri Pereira como fiscais. “Se eu fui pessoalmente lá duas ou três vezes foi muito.”
ALARGAMENTO
Wilson disse que, desde as chuvas que inundaram o Fórum no dia 18 de janeiro do ano passado, a Prefeitura sabia da necessidade das obras de alargamento do córrego. Como os dois engenheiros, ele também defendeu o alargamento como necessário. “Sem isso, as enchentes vão continuar.”
O secretário disse que, se as obras de alargamento tivessem sido feitas em novembro do ano passado, como era a vontade da administração Sidnei Rocha (PSDB) e chegou a ser anunciado, o conserto do viaduto seria mais barato. “Não teríamos a ponte escantilhada, com isso, poderíamos usar uma largura maior e diminuir o aprofundamento. Além disso, não teríamos a dificuldade de trabalhar embaixo de uma ponte. Não sei dizer valores, mas, com certeza, sairia mais barato.” O projeto inicial previa um gasto de R$ 2,3 milhões.
Teixeira disse que a Prefeitura cancelou o aditamento da obra depois que o Ministério Público questionou a legalidade do contrato. “Acabamos adiando para abrir uma licitação. Mas depois ficamos sem dinheiro e agora o projeto está pronto e o prefeito Alexandre [Ferreira, PSDB] já começou a luta para conseguir os recursos com o governo do Estado.”
Teixeira disse que não será necessário derrubar a ponte escantilhada construída embaixo do viaduto, mas a existência dela deve encarecer as obras de alargamento. “Não sei citar valores, mas é diferente uma obra onde não há ponte de uma onde ela existe. O grau de dificuldade é outro”.
Ele reafirmou que o alargamento é necessário para evitar as enchentes. “Até ele seja feito, os alagamentos vão continuar.”
TRÂNSITO
Sobre questões de segurança relacionadas em um laudo do Ministério Público, o secretário preferiu não opinar. “Vamos aguardar o parecer do setor de trânsito.” Ao ser questionado sobre o projeto do viaduto e os semáforos instalados em sua parte inferior, Teixeira disse que preferia não responder. Depois da insistência de Márcio do Flórida, respondeu. “Falando como engenheiro, se o projeto fosse meu, seria bem diferente. Eu não usaria os semáforos nem a ponte. Deixaria a rotatória com adaptações.”
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