Censura inaceitável


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Nenhuma ditadura é saudável, seja ela de esquerda ou de direita. Ao longo da História, este tipo de regime vai e vem, nunca deixando frutos lembranças felizes. Independentemente das ideologias, um governo de exceção acaba por se tornar um governo de força, impondo de cima para baixo ideias e decisões autocráticas. Em todos os casos que abundam nos livros de história (e ainda hoje coexistem com os regimes democráticos), o controle da mídia é uma das primeiras imposições para se buscar o controle total da população e, imaginam os ditadores, de seus pensamentos e ações. No fim das contas, a censura à liberdade de pensamento, de expressão e de acesso à informação não é capaz de impor a opinião do poder dominante.

Nos últimos tempos, amiúde surge o debate sobre uma famigerada regulamentação da mídia, defendida por uma ala política da esquerda mais radical. Trocando em miúdos, nada mais do que a censura, o cerceamento da liberdade de expressão. Vários documentos já foram redigidos, mas mesmo contando com a simpatia do ex-presidente Lula, não houve oportunidade para que fossem adotados, diante da forte pressão surgida de todos os meios (e não só de comunicação), que não concordam com o retorno a uma situação que o País viveu por 20 anos, sob uma ditadura militar de direita. Melhor ainda: a presidente Dilma Rousseff - ela mesma uma perseguida nos anos de exceção de triste lembrança na política brasileira - já deixou claro ser contra qualquer cerceamento da liberdade de expressão e não deve permitir que a tal regulamentação seja implementada durante o seu governo.

Quem defende uma censura aos meios de comunicação deve se esquecer de que nos períodos mais sombrios e vergonhosos que vivemos, onde todas as liberdades individuais do cidadão foram ignoradas, a imprensa estava calada, sob o jugo de uma censura implacável e, na maioria das vezes, ignorante. Com muita dificuldade conseguiu-se retomar a normalidade democrática e, agora, fala-se nesta famigerada regulamentação. Os que a defendem precisam entender que não há país livre se a imprensa é amordaçada. Têm que se conscientizar sobre a grande oportunidade que o Brasil tem de se desenvolver por contar com órgãos livres e independentes para denunciar, cobrar, aplaudir, criticar, enfim, noticiar, com isenção, o que acontece, de bom ou de ruim.

Por tudo isso, estranha-se a teimosia arraigada em certos setores da política nacional em ignorar a importância de uma imprensa livre e independente. Caso houvesse essa mordaça que insistem em impor, dificilmente teríamos as denúncias que expõem a corrupção em todos os níveis, incluindo desvios nos setores de saúde e educação, chegando a impedir que maus administradores públicos continuem locupletando em cima dos recursos públicos, impedindo a destinação do dinheiro dos impostos para onde é realmente necessário. Em todo caso, qualquer movimento no sentido de impedir a livre manifestação de pensamento e ideias deve ser afastado e tratado como um golpe contra as liberdades individuais do cidadão.

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