Gados selecionados em fazendas da região e até do Estado de Mato Grosso chegam diariamente ao Frigorífico Franca Boi, no Distrito Industrial de Franca. O desembarque dos animais é apenas a primeira etapa do processo de abate da carne bovina que abastece 40% dos estabelecimentos da cidade, entre açougues e supermercados de pequeno e médio portes. Segundo a direção da empresa, dos três mil bovinos abatidos por mês no local mais da metade (1,8 mil) é destinada ao mercado francano.
Instalado no prédio do matadouro municipal há sete anos, por ter vencido licitação feita pela Prefeitura, o frigorífico ainda tem 15 anos de concessão para uso do espaço. O diretor do local Carlos Roberto Batarra diz que pelo contrato, além da venda da carne realiza o serviço de taxista, que consiste em realizar o abate do animal encaminhado diretamente pelo açougueiro. “Nesses casos, não cobramos o abate, somente pedimos que eles deixem o couro e a barrigada em troca.”
Com 83 funcionários, o local segue normas de higiene e controle de qualidade da carne. Para entrar no frigorífico, bota, jaleco, touca e capacete são exigidos aos funcionários e visitantes. Os animais também passam por uma preparação pré-abate. Após chegar aos currais da empresa, ficam fechados por até 12 horas sem alimentação. “É o que chamamos de jejum hídrico alimentar que precisa ocorrer no mínimo oito horas antes”, disse o veterinário Ricardo Faleiros Freitas. É ele que acompanha a chegada, o abate e a expedição do produto. “Os animais chegam pré-selecionados e certificados, em seguida fazemos um exame ‘ante-mortem’ para verificar possíveis anomalias. Além disso, a compra não é feita de qualquer um e durante o ato todo o escore corporal da novilha ou boi é analisado.”
Durante o processo de abate, inclusive quando a carne está prestes a entrar na câmara fria, o animal recebe vários jatos d’água. De acordo com Batarra, são gastos entre mil a 1,2 mil litros de água por cabeça de gado. Os banhos servem para diminuir o estresse do bicho antes do abate, facilitar a retirada do couro e como higienização.
Na sangria e na retirada do couro traseiro e dianteiro, as facas utilizadas são constantemente trocadas e esterilizadas para evitar contaminação. Antes da sangria, o animal sofre uma espécie de atordoamento com a aplicação de uma pistola de ar no pescoço.
COMÉRCIO
Segundo o diretor do frigorífico, após o abate, os clientes têm a opção de compra da peça inteira ou desossada. A refrigeração das carnes acontece em duas câmaras frias programadas a menos 10 graus. O carregamento dos caminhões refrigerados é feito diariamente e à noite. “Não há uma regra para carne, mas o tempo médio de permanência nas câmaras é de 15 horas a três dias no máximo. Já a preferência da maioria é pela compra da peça inteira. Somente 10% da mercadoria sai desossada. Em relação à demanda, o forte das vendas é no segundo semestre”, disse Batarra.
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