André Luís Arrifano Silva, 39, administra duas empresas, uma de confecções e a outra de planos corporativos móveis; é pastor na igreja evangélica Comunidade Sol da Justiça; está cursando gestão financeira na Unifran (Universidade de Franca) e se dedica à mulher Edmara e aos dois filhos, Rafael e Larissa. Mesmo com uma agenda concorrida, ele encontra tempo para dar continuidade ao projeto Boa Semente, idealizado por ele e que tem como foco proporcionar momentos de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças carentes. O trabalho é feito no Jardim Redentor em parceria com a Prefeitura.
Criado em julho de 2011, o centro do Boa Semente atende a faixa etária de 6 a 12 anos. O serviço é gratuito e inclui atividades como rodas de conversa, leituras, exibição de filmes, atividades físicas e brincadeiras, tudo isso com um só objetivo. “Aqui, a finalidade não é didática. Para isso, já tem a escola. O Boa Semente visa a socialização e inclusão social. As crianças daqui nunca foram ao cinema, ao Mc’Donalds, à uma festa ou ao dentista. Então, o desejo mesmo é conseguir dar dignidade para essa molecada”, disse André.
Em 2011, quando o projeto nasceu, não havia muito suporte e o número de crianças atendidas se limitava a 12; hoje são 40. No entanto, no ano passado, iniciou-se uma nova era para o Boa Semente. A Prefeitura de Franca se interessou pelo projeto, pelo fato de atender prioritariamente crianças da zona norte de Franca, região que não era contemplada por outro projeto semelhante. Assim, o Boa Semente passou a fazer parte do projeto Sementes do Amanhã, que mantém núcleos em diferentes regiões da cidade para oferecer a crianças carentes atividades recreativas e pedagógicas no horário contrário ao escolar.
Atualmente, a Prefeitura auxilia a iniciativa de André com alimentação, materiais, além de fornecer uma monitora para o local.
A IDEIA
O projeto é a concretização de um sonho antigo de André. “Vim de uma família muito humilde e passava dificuldades. Hoje, com a condição um pouquinho melhor, você sente um desejo de ajudar aquele que não tem nada”, disse. “Sempre tive o coração de ajudar e, tanto eu quanto a minha mulher, sempre sonhamos em fazer um centro como o do Boa Semente. Então, isso vem de longe.”
O empresário começou como o presidente da unidade, mas, tanto pelo próprio estatuto do local quanto pelo número de atividades que exerce, a partir deste ano André está na diretoria do serviço. A presidência está a cargo da pastora Maria Luiza Sherioni, que também está à frente da Comunidade Sol da Justiça.
O NOME
André se inspirou na parábola do semeador, encontrada na Bíblia nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, para nomear o centro. Os trechos narram a história de um semeador que deixa cair sementes pelo caminho. Algumas caem em solo rochoso, outras em espinhos, e outras em terra boa. Essas últimas são as boas sementes, que se multiplicaram até 100 vezes. “As crianças são a base. Nosso temperamento e jeito basicamente se resumem à nossa infância. Então, se você consegue lançar uma boa semente quando é pequeno, pode facilitar as coisas mais para a frente. A gente sempre orienta [as crianças] a tomar cuidado com as companhias e com as drogas. Elas já começam a ter noção do certo e do errado, de moral e isso é muito legal”, disse
O RESULTADO
Os benefícios proporcionados pelo Boa Semente fazem o empresário André se sentir realizado e satisfeito. “A melhor parte é que a criança melhora demais, principalmente na autoestima. Essas crianças precisam de amor.”
Há planos de expandir o trabalho. A partir deste ano, os familiares das crianças também serão atendidos em reuniões agendadas com uma psicóloga e com a pastora Maria Luiza. “Sempre que você fala de criança, não existe criança sozinha, a família sempre influencia”, disse André.
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