No começo da década de 90, Franca tinha cerca de 230 mil habitantes. A Delegacia Seccional local somava 560 policiais civis. Vinte anos se passaram, a cidade cresceu e ganhou cem mil novos moradores. O progresso trouxe junto o aumento da criminalidade. Na contramão deste cenário, a Polícia Civil assiste o seu efetivo definhar na mesma proporção que crescem a insegurança e a cobrança pelo esclarecimento de crimes. Hoje, são apenas 360 homens responsáveis por apurar as ocorrências registradas em Franca e outras 16 cidades da região. Mais da metade desses municípios não têm delegados próprios.
O quadro deficitário pode ficar pior ainda. Em torno de 60 agentes estão aptos a se aposentar e podem se desligar até o fim do ano. Se faltam policiais, trabalho está sobrando. Somente no ano passado, 10,1 mil boletins de ocorrência deram entrada nas delegacias de Franca. São casos de furto, roubo, ameaça, estelionato e assassinato de autoria desconhecida. O número de investigadores não ultrapassa 70.
Este cenário preocupante foi denunciado pelo vereador Daniel Radaeli (PMDB) na tribuna da Câmara Municipal. O grito de socorro ganha ainda mais peso levando-se em consideração que foi feito por um dos mais experientes policiais civis em atividade. Radaeli é o delegado-chefe da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e responsável pelo Centro de Inteligência da Polícia Civil. Ele é um dos que podem se aposentar este ano. “O número de policiais para atender à crescente demanda é insuficiente. Temos uma carência grande de escrivães e investigadores. Muita gente está se aposentando ou migrando para outras carreiras do Estado ou da Federação”, disse Radaeli.
Responsável pela apuração de crimes de autoria desconhecida, a DIG deveria ter entre 30 e 40 investigadores. São apenas 13. Todos os meses, os policiais da especializada esclarecem pelo menos 50 casos. Em entrevista ao Comércio em fevereiro, o governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB) equiparou os dados locais de homicídios com “índices europeus”. Em 2012, a média em Franca foi de 5,5 homicídios para cada cem mil habitantes.
Na opinião do delegado Radaeli, o resultado positivo deve-se ao empenho da própria polícia. “Os nossos policiais são abnegados, é frequente você ver um policial trabalhar 14 horas diárias. Isto é cansativo. Estamos defasados. Precisamos de mais policiais e especializar em inteligência.”
EQUIPE
O Estado informou que foram repassados 11 investigadores e escrivães para a Seccional de Franca em 2012. Estão em andamento sete concursos para a contratar 1,3 mil profissionais para as carreiras de agente policial, perito criminal, desenhista técnico pericial, médico legista, escrivão, investigador e papiloscopista.
Integrante da Comissão de Segurança da Câmara, o vereador Radaeli defende mudanças na distribuição dos policiais para atender as regiões de maneira mais eficaz. “O concurso demanda muito tempo. São mais ou menos dois anos do início ao fim porque é preciso capacitar este profissional na área de segurança pública. Os concursos deveriam ser seccionalizados para que a gente possa preencher as vagas existentes em nossa Seccional.”
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