O número de pessoas que optam por morar sozinhas é crescente, em especial nas grandes cidades. Somente na capital paulista, o volume de imóveis com apenas um quarto lançado no mercado cresceu quase 800% desde 2007. Por outro lado, os que possuem três dormitórios reduziu 80%. Essa realidade é bem diferente em Franca, onde os empreendedores ainda não consideram uma vantagem os imóveis com apenas um quarto. A principal justificativa é a baixa procura por quem deseja comprar o imóvel. A preferência é por aqueles contemplados com dois dormitórios.
Em Franca, uma das poucas a olhar para a clientela interessada em imóveis com apenas um dormitório é a MRV Engenharia. Mesmo assim, em baixo número. O forte da empresa são empreendimentos de dois ou três quartos. “Notadamente são os [modelos] mais procurados. Atualmente não existe um investimento específico com imóveis de um dormitório”, disse o diretor-executivo de vendas da MRV Engenharia, Breno Mendes.
Em Franca, um dos poucos empreendimentos da construtora com opção de um dormitório é o Residencial Franca Garden, na avenida Santa Cruz, nas proximidades do Sesi. O tamanho dos imóveis também pesa na hora da decisão. Os com dois quartos têm, em média, 46 metros quadrados, e com um dormitório, 40 metros quadrados. A diferença de preço é pouco mais de R$ 10 mil entre eles.
Apesar da baixa procura, a Transação Imobiliária lançou no ano passado o Residencial Topázio com sete prédios, sendo cada um com a opção de um apartamento com um quarto. Mas, na realidade, os imóveis foram construídos com apenas um dormitório não pela demanda de clientes, mas mais para resolver um “problema”. No espaço que seria o segundo dormitório foi construída a caixa da escada. “Os clientes dão preferência para imóveis com no mínimo dois dormitórios, e se um desses for suíte, fica ainda melhor para negociação. Até mesmo quem vai morar sozinho, opta por dois”, disse o corretor Tiago Zago.
A baixa procura também fez com que a Construtora ADP não investisse em empreendimentos de um dormitório. “Em geral, apartamentos com um quarto são sempre os últimos a serem vendidos”, disse Eliete Valenta, supervisora de vendas da empresa. “No momento não temos previsão de investir neste tipo de imóvel em razão da pouca procura.”
Com poucas opções na cidade, a promotora de vendas Elaine Cristina Monteiro, 36, encontrou dificuldade na hora de comprar o seu primeiro apartamento. “Como não sou casada nem tenho filhos, achei melhor comprar um apartamento de um quarto. Na primeira construtora que procurei, fui informada que eles trabalham apenas com dois dormitórios.”
Elaine não desistiu da ideia e acabou conseguindo encontrar o que queria. Ela comprou um imóvel da MRV, no Residencial Franca Garden, por R$ 75 mil. “Para quem mora sozinha, é bem mais prático”, disse a promotora de vendas, que há seis meses se mudou para o apartamento novo.
MAIORES
Quem tem melhor poder aquisitivo, é claro, busca imóveis com mais dormitórios. Voltada para o mercado de classe alta, a construtora CV Lopes investe principalmente em prédios com apartamentos de três quartos. Imóveis com apenas dois dormitórios representam 5% dos empreendimentos. Há também clientes interessados em imóveis ainda maiores. “A maioria que busca imóvel de quatro dormitórios está interessada em transformar um deles em escritório. Mas os com três são mais comerciáveis”, disse Tainan Lopes, da CV Lopes.
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