Cerveja artesanal: a boêmia no quintal de casa


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Apaixonados por cerveja, Otávio Augusto Mendes e Matheus Ribeiro Ramos fizeram do gosto pela bebida um negócio rentável com a abertura da casa de cervejas Sr. Lúpulo
Apaixonados por cerveja, Otávio Augusto Mendes e Matheus Ribeiro Ramos fizeram do gosto pela bebida um negócio rentável com a abertura da casa de cervejas Sr. Lúpulo

Não se sabe ao certo a idade da cerveja ou de quem foi a primeira receita do líquido dourado. O que se pode afirmar é que, desde então, seu consumo não para de crescer. No Brasil, principalmente. O País é o quarto maior mercado em produção de cerveja no mundo e o décimo em comercialização.

O motivo não é difícil de ser descoberto. Salvo raras exceções, a bebida é a eleita para churrascos, festas e confraternizações das classes A até a E. No supermercado, bares e restaurantes há opções a partir de R$ 1 até preços infinitamente mais altos. A título de curiosidade, existem cervejas que chegam a custar R$ 2 mil, como a alemã Vieille Bon Secours Ale.

Na região de Franca não há números oficiais sobre o consumo e nem qual é a mais vendida, mas opções de marcas industrializadas não faltam. Nesse meio há, porém, cervejas artesanais, produzidas em baixa escala e de forma quase 100% manual. É assim, por exemplo, com a artesanal ainda sem nome definido do químico Rodolfo Barbosa Ferreira, 27, produzida em Patrocínio Paulista. Por enquanto ela faz apenas 20 litros da bebida por semana e vende para poucos-sortudos amigos. O “ganha-pão” vem de uma fábrica de sorvetes.

A produção de cerveja, que acontece há três anos e é de Pilsen, Pale Ale e de trigo, ainda não tem pretensão de lucro e é vendida a R$ 7 o litro. “Meu foco ainda não é faturar, é divulgar meu produto”, disse Rodolfo.

Do início ao fim da fabricação, são pelo menos três semanas de espera (veja quadro), tempo compensado pelo sabor alcançado, segundo Rodolfo. Ele conta que uma cerveja industrializada convencional tem 55% de malte -um dos grãos que dão origem à bebida. O restante são adjuntos como xarope e extratos. No caso das produzidas em Patrocínio, são, pelo menos, 70% de malte e sem nenhum aditivo químico. Na prática essa diferenciação resulta em uma bebida mais saborosa e encorpada.

O desejo do cervejeiro em produzir a bebida nasceu da vontade de ter um negócio próprio e rentável e, como era de se esperar, por gostar de tomar cerveja. O investimento inicial foi de R$ 5 mil em equipamentos - duas enormes panelas, serpentina e dois recipientes plásticos e os ingredientes. A produção é feita na casa de Rodolfo, em um espaço na cozinha da mãe, onde há um fogão industrial e os apetrechos do cervejeiro. A bebida fica armazenada num refrigerador.

A venda hoje ainda baixa -ele costuma presentear amigos com a bebida -, mas pretende em breve abrir uma microindústria cervejeira, com capacidade para fazer 600 litros por semana e com espaço para degustação que permita acompanhar a produção, em Patrocínio Paulista. “Comecei por curiosidade e paixão, mas o mercado é ascendente e vi ali um negócio que podia nascer e crescer. Sou graduado em química e isso facilitou um pouco, mas fiz cursos e aperfeiçoei receitas até chegar à cerveja de hoje. Garanto que a minha é única.”

Rodolfo buscou conhecimento com curso de tecnologia cervejeira na Arte Brew Cerveja Artesanal; iniciação às técnicas cervejeiras caseiras na A Turma Cerveja Artesanal e aprendiz de mestre cervejeiro pela Bohemia.

Hoje ele encontrou a receita ideal, mas não foi sempre assim. A primeira, em 2010, não deu certo. Junto com os equipamentos comprados, havia adquirido um kit com ingredientes. O malte estava com problema e a cerveja azedou. Com o episódio - e os palpites de quem tomava - a bebida foi ganhando novos sabores até cair no gosto popular. Outro passo importante foi entender a importância de cada ingrediente e selecioná-los na hora da compra.

A cerveja artesanal não leva conservantes e nem tem adição de gás carbônico. É um tipo de chope engarrafado e por isso tem validade menor que a cerveja tradicional, industrializada. A indicação consumi-la em até três meses. “A validade das cervejas depende da receita, da fermentação, do transporte e chega a um ano.”

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