Crime e castigo


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O russo Fiódor M. Dostoiévski, considerado um dos expoentes da literatura mundial, segundo os críticos, representa o que há de melhor a retratar o seu povo. Especialmente preocupado com os aspectos sociais e psicológicos dos seus personagens, tanto retrata o homem comum quanto a aristocracia, descrevendo-lhes hábitos e peculiaridades.

Na sua mais famosa obra, Crime e castigo, com tradução para o português de Natália Nunes e editada por Victor Civita (1979), relata o infortúnio de Rodion Raskólhnikov, que cometera assassinato de duas mulheres. Descreve com pormenores as aflições íntimas vividas pelo assassino que, na tentativa de fugir das consequências dos seus atos, vai encontrar-se com o senhor Svidrigailov, um capitalista viúvo que se interessa por casar-se com a irmã de Rodion. É então que ocorre um diálogo interessante entre ambos, no qual aquele fala do relacionamento com a sua falecida esposa, Marfa Pietrovna, surpreendendo o interlocutor com a informação de que ela, morta, lhe aparecera por três vezes. A primeira no próprio dia do sepultamento, a segunda quando ele se achava hospedado numa pousada e a última “há algumas horas”.

Dostoiévski, mencionando aparecimentos de espíritos, conduz o leitor à certeza de que se trata de fatos verificáveis. Observa-se que, tanto pela naturalidade com que o autor, não espírita, trata o assunto, quanto pelo fato do Espiritismo estudá-las com seriedade, aparições ou visões fazem parte do cotidiano de todos os povos, desde os primeiros tempos, ocorrendo em determinadas circunstâncias, independentemente de raça, crença ou situação social.

Ressalte-se que aparições no mesmo dia da desencarnação, como a de Pietrovna, ocorrida apenas uma hora após o seu sepultamento, são raras, mas, na literatura espírita, vemos que casos de comunicações são comuns. São dados a conhecer os de alguns espíritos que se comunicaram enquanto eram velados os corpos que mal acabaram de abandonar.

Desta natureza, temos em Franca o caso da conhecida médium dona Maria Barini que, enquanto seus restos mortais eram velados, valeu-se da mediunidade da também conhecida Maria de Paula Carvalho – a Mariinha – para consolar familiares e amigos e, mais do que isso, chamar a atenção dos interessados para o fato de que, a partir do momento do seu efetivo desligamento, o corpo que lhe servira passou a apresentar aspecto mais suave, conquanto mais pálido.

Expedientes semelhantes foram utilizados por espíritos de conhecidas personalidades da área da literatura, e que também se dedicavam à benemerência, como o famoso “médico dos pobres”, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, que psicografou página de reconforto, e Cairbar Schutel que, através de curiosa intervenção psicofônica, enquanto massageavam o seu corpo, na tentativa de ressuscitá-lo, avisou aos empenhados profissionais da saúde que podiam dispensar os trabalhos, porque “já me encontro do outro lado”.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)

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