Ao som de buzinas, gritos e palmas, às 17h05 desta sexta-feira, foi aberta ao trânsito uma das maiores obras viárias da cidade. O viaduto “Dona Quita” foi inaugurado com três meses de atraso e em meio a muitas polêmicas.
Engenheiros da própria Prefeitura e um perito do Ministério Público apontam dezenas de irregularidades e falhas na construção. Uma CEI (Comissão Especial de Investigação) foi aberta na Câmara para apurar responsabilidades (leia texto na página ao lado). A obra de R$ 9 milhões só conseguiu ser inaugurada depois que a Prefeitura assinou um acordo com o Ministério Público.
Ontem, nada disso pareceu importar. Até o clima colaborou. Depois de dois dias de chuvas, o sol voltou a aparecer. Com o apoio de quase todo o alto escalão da Prefeitura, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e o ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB) foram os primeiros a cruzar o viaduto na tarde de ontem, acompanhados da vereadora e responsável pelo projeto da obra, Valéria Marson (PSDB).
Um pequeno grupo de cerca de 40 pessoas os esperava do outro lado. Uma fila de carros logo se formou dos dois lados do viaduto para conhecer a obra. Na parte inferior, começaram os discursos. Jépy Pereira (PSDB) foi o primeiro a falar. Só elogios. “Franca não é mais uma corrutela. Esta obra marca o futuro. A população queria e precisava desta obra.”
Em seguida, foi a vez do ex-prefeito Sidnei Rocha, cuja mãe Maria Patrocínio Rocha, a Dona Quita, dá nome ao viaduto. Relembrando os tempos de campanha eleitoral, o ex-prefeito iniciou seu discurso enaltecendo as conquistas de sua administração. Depois, como sempre, sem citar nomes, atacou a administração petista de Gilmar Dominici. “A cidade, num passado recente, já pagou um alto preço por pessoas que não enxergavam o futuro, que ‘male-male’ enxergavam o próprio pé.” Sidnei falou por seis minutos e meio. Preocupado em desqualificar os que criticam a obra, quase se esqueceu de falar de sua mãe que dá nome ao viaduto e de seus dois irmãos, que estavam ao seu lado.
O terceiro a discursar foi o vice-prefeito Fernando Baldochi (PMDB), que elogiou Sidnei e o trabalho de Alexandre Ferreira.
O discurso do atual prefeito durou sete minutos. Ele preferiu não entrar nas polêmicas relacionadas à obra. Também elogiou seu antecessor e anunciou a intenção da Prefeitura de construir mais um viaduto. Desta vez, no cruzamento das avenidas Dr. Ismael Alonso y Alonso e Champagnat. “Estive em São Paulo nesta semana. Já temos um estudo pronto e agora vamos correr atrás de recursos porque o desenvolvimento de Franca não pode parar.”
Eram pouco mais das 18 horas quando o trânsito foi completamente liberado. O prefeito e o secretário municipal de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, ainda permaneceram no local por cerca de uma hora acompanhando a movimentação.
A curiosidade dos motoristas fez com que o trânsito registrasse congestionamentos em todo o entorno do viaduto. E mesmo não sendo especialista, foi possível perceber que os risco de acidentes são grandes, principalmente nas saídas dos dois lados do viaduto. Ontem, depois da inauguração apenas dois guardas civis estiveram observando o tráfego acompanhados por dois policiais militares da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas).
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