A dificuldade para o transporte e a escassez de voluntários fizeram cair a extração de córneas realizada pela Santa Casa. Em 2009, o último ano em que o procedimento não passou por nenhuma dificuldade estrutural, o hospital coletou 438 córneas. No entanto, no ano seguinte, a quantidade já diminuiu para 295. Em 2011, foram retiradas apenas 234 córneas e, no ano passado, 242. Em três anos, o número de cirurgias de extração da Santa Casa diminuiu aproximadamente 45%.
De acordo com a assistente social e integrante da Comissão de Transplantes da Santa Casa, Márcia Floro da Silva, os principais motivos para a queda são a dificuldade para transportar os tecidos e de encontrar voluntários para dialogar com as famílias de potenciais doadores.
A iniciativa de retirar córneas começou em 2003 e foi denominada Projeto Luz. O programa conta com o auxílio da população, que se voluntaria para falar com as famílias a fim de que elas doem os tecidos, podendo, assim, beneficiar outras pessoas. Apesar de a Santa Casa realizar transplantes de córneas, elas precisam ser primeiramente enviadas ao Banco de Olhos em Ribeirão Preto, que coordena a fila de espera da região. Atualmente, são 390 esperando por transplante de córnea em todo o Estado de São Paulo.
TRANSPORTE
O Projeto Luz tem sofrido com problemas estruturais desde 2010. Segundo Márcia, a Polícia Rodoviária de Franca, que desde 2003 realizava uma parceria de transporte de córneas para Ribeirão Preto, passou a realizar o translado com menos frequência para se dedicar a serviços internos da corporação. Na mesma época, o hospital recorreu à Viação São Bento, que passou a levar as córneas para Ribeirão de forma gratuita, mas apenas em horário comercial - se o translado tivesse que acontecer no período noturno, a extração nem era feita. A empresa chegou a informar que passaria a cobrar pelo serviço, mas, há cerca de uma semana, voltou atrás e o serviço é novamente gratuito (leia texto nesta página).
Enquanto o transporte gratuito esteve suspenso, a equipe da Santa Casa recorreu a clubes de serviços da cidade. Com esse apoio, o hospital fez uma parceria com uma empresa local de transporte, que se comprometeu a cobrar apenas o preço de custo dos traslados. “Tenho quatro viagens mensais confirmadas, que podemos usar no período noturno. As córneas têm que chegar em até 12 horas em Ribeirão Preto, se não nós as perdemos”, disse Lila Crespo, coordenadora de relacionamento da Santa Casa.
VOLUNTÁRIOS
Mas não é apenas o transporte que impede um maior número de extração de córneas. A assistente social da Santa Casa também se queixa de que o número de voluntários do Projeto Luz está longe de ser o ideal. “Hoje temos 30 voluntários, que doam um dia do mês, num plantão de 12 horas, que pode ser diurno ou noturno. Mas nós precisávamos de 60 pessoas”, explicou Márcia.
Os interessados em participar do Projeto Luz podem ligar para o telefone (16) 3711-4062 ou 3711-4063, das 7 às 17 horas.
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