Guerras não trazem a paz


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Dez anos atrás, no dia 20 de março de 2003, os Estados Unidos deram início à guerra do Iraque com um intenso bombardeio. Em pouco tempo, a força de coalizão (com apoio incondicional da Inglaterra) conseguiu derrubar Saddam Hussein e instituiu um governo de natureza provisória. A invasão teve como uma das principais justificativas o perigo iminente do ditador com suas armas químicas e outras de destruição em massa. Saddam foi capturado em dezembro de 2003, julgado e enforcado. Nos meses seguintes, a verdade sobre as armas veio à tona: George Bush e Tony Blair (então primeiro-ministro inglês) assumiram que não havia o perigo e colocaram a culpa no trabalho dos serviços secretos de seus respectivos países. Mas já era tarde. O conflito encerrado mais de oito anos depois custou a vida de 115,5 mil civis iraquianos e de 4.483 militares americanos. E não levou a estabilidade ao país, uma das promessas antes da invasão.

Hoje, o Iraque é um verdadeiro barril de pólvora, com constatnes ataques a bomba, causando uma série de mortes entre autoridades e civis - incluindo aí mulheres e crianças. Dividido por sectários de diversas correntes, o país não consegue um governo legitimado pela maioria para administrar as profundas diferenças que permeiam os atentados (na maioria perpetrados por religiosos suicidas) que convulsionam todo o Oriente Médio. Nos últimos anos tornaram-se comuns os conflitos internos em países da região, como Bahrein e Síria - este último, a ‘bola da vez’. E o perigo de que a história do Iraque (e antes, do Afeganistão) se repita é o grande temor atual.

Enquanto o regime de Bashar Assad se vê enredado em uma verdadeira guerra interna que já deixou milhares de mortos e centenas de milhares de refugiados no período de um ano, o mundo acompanha, apreensivo, o desenrolar dos acontecimentos. Os rebeldes que combatem o regime sírio começam a obter apoio do mundo Ocidental - a França tenta intensificar o fornecimento de armas aos que se opõem às tropas do governo e já conta com a simpatia dos Estados Unidos - e não há quem seja capaz de prever as proporções que o conflito possa tomar, mesmo em futuro próximo.

Ao se tentar resolver a questão pela via da guerra, governo e oposição síria mostram que não aprenderam a lição de que apenas sofrem os mais fracos e inocentes e, no final, todos saem perdendo. As movimentações dos países ocidentais também constituem prova de que as lições deixadas pelas guerras anteriores - que permeiam toda a história humana - não foram instrutivas. Nada se consegue pela força. Grandes impérios foram construídos pela beligerância e hoje não existem mais. Combates sangrentos não trazem a paz, basta ver o maior exemplo do século passado que foi a II Guerra Mundial, a qual deixou milhões de mortos, países à beira da ruína e cujos reflexos negativos são sentidos ainda hoje. Da forma como tudo vem ocorrendo, vê-se que a possibilidade de paz num convulsionado Oriente Médio - com ressonância na África - ainda está muito distante.

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