Alguns moradores do bairro São Domingos estão abandonando suas carreiras em prol da melhoria à segurança de suas residências. Essa foi a única alternativa encontrada pela ex-confeiteira Érica Barbosa, 29, depois que sua casa foi invadida por marginais em dezembro do ano passado. “O meu vizinho de cima chegou na hora que os ladrões tinham entrado. Percebemos que eles entraram pulando o muro, porque tínhamos uma horta no quintal e eles deixaram pegadas”, disse a mulher que passou a viver apenas com o salário do marido, representante comercial. “Preferi deixar o trabalho e ficar de olho na casa. Dá um trabalhão para a gente comprar as coisas para depois vir um ladrão e levar tudo”, comentou.
Caso semelhante aconteceu com a sapateira Jéssica Garcia Rodrigues, 24. Ela também teve de mudar sua rotina por causa da ação de bandidos. A mulher explica que sua residência já foi furtada duas vezes, enquanto ela e o marido, também sapateiro, estavam trabalhando fora. “Na primeira vez que entraram, pularam o muro, arrombaram a porta e levaram televisão, DVD, vídeo game e computador. Resolvemos então levantar o muro, instalar cerca elétrica e alarme nas portas. Não teve jeito. Eles pularam o muro de novo e, ao invés de arrombarem a porta, entraram pela janela. Então arrumei um jeito de trabalhar dentro de casa”, contou.
No imóvel ao lado, sua antiga vizinha vendeu a casa por conta do alto número de furtos. Segundo a sapateira, foram sete. “Você imagina ter que comprar tudo de novo sete vezes. Ela não aguentou e vendeu. Os novos moradores já foram roubados (furtados) outras duas vezes”, revelou.
Ao percorrer o bairro é possível verificar que a maioria das casas possui cerca elétrica ou alguma placa advertindo os possíveis invasores de que o lugar é monitorado. Só que isso parece não inibir os meliantes. Em uma residência recentemente construída, onde mora um casal de classe média, a saída encontrada foi “contratar uma hóspede” para vigiar o lugar durante o dia. “A casa foi furtada semana passada, durante à tarde. Como minha prima e o marido dela trabalham o dia inteiro, ela me pediu para ficar aqui e guardar a casa”, disse Amanda Rodrigues da Silva, 18, moradora na Vila Santa Terezinha.
Durante a visita da reportagem ao bairro, um susto. Às 11h30, na rua José de Andrade Filho, uma viatura foi chamada por duas adolescentes que trabalhavam em uma loja de utilidades e viram um homem em atitude suspeita observando o local. “Percebi que ele estava passando várias vezes em frente à loja e chamei minha mãe. Ela me pediu para ligar para a polícia, porque já tentaram entrar na nossa casa (ligada à loja) três vezes”, comentou uma das garotas, de apenas 15 anos.
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