Comércio exterior


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Ao falarmos de balança de pagamentos e de relações internacionais, a primeira questão com que nos defrontamos é saber por que os países transacionam entre si. E a resposta é bem simples: nem todos eles possuem a mesma dotação de recursos naturais e humanos, não possuem a mesma habilidade e espírito empreendedor, nem comungam os mesmos valores e as mesmas crenças. Além do mais, a dotação de recursos associada ao conjunto de valores que determinadas regiões do planeta cultuam, produziram um padrão de desenvolvimento que as fazem diferentes. Este padrão, pelo ritmo em que ocorreu e pelos condicionantes do processo, não se distribuiu, ou não se repetiu, uniformemente no mundo. O que se tem, então, são as diferenças, que dão origem a um campo de estudos que é a Economia Internacional, cujos instrumentos de análise e ação contribuem para o entendimento dos problemas que derivam das relações econômicas entre países.

Tais relações ocorrem por quatro razões fundamentais: para conseguir bens que não possuem e nem tem condições de produzir; obter bens no exterior a preços menores que os produzidos internamente; vender bens produzidos internamente em quantidades superiores às necessidades nacionais, com os quais pagarão as compras feitas no exterior e, finalmente, para integrar-se no fluxo internacional de tecnologia.

Esse relacionamento caracteriza a chamada interdependência. Por exemplo: compramos petróleo do Oriente, da Venezuela ou mesmo da Argentina; esta nos manda trigo e produtos lácteos; dos Estados Unidos compramos equipamentos sofisticados, aviões, serviços; de Portugal compramos azeite e vinhos; da China, até automóveis. O mesmo acontece com vários outros países para os quais vendemos sapatos, aviões, suco de laranja, aço, soja etc. E quando a Embraer vende aviões para os Estados Unidos, ela se defronta com problemas que precisam ser superados para que a operação chegue a bom termo, como está acontecendo agora.

Com presença permanente nos mercados mundiais, trazemos renda para dentro da economia nacional e renda adicional trazida pelas exportações significa crescimento e emprego, o quer dizer estimulo às atividades econômicas internas, ativação da economia e mais renda nas mãos dos brasileiros. Mas, nossa participação na economia mundial tem sido pífia e a participação das exportações no PIB vem se reduzindo. Nossas exportações estão concentradas em “commodities” (minério de ferro e produtos agrícolas). Estamos ficando para trás em manufaturados, em virtude da inércia nas inovações. E temos nos descuidado também do abastecimento doméstico, permitindo que as importações desempenhem este papel.

Na era da globalização, contamos, no Brasil, com uma vantagem extraordinária: o mercado interno, fator de alavancagem da produção e facilitador da penetração do produto brasileiro no mercado mundial. Se conseguirmos abastecer, com qualidade e preço, a demanda do mercado interno, não há por que descuidarmos do mercado internacional.

Vicente P. Oliveira
Economista

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