Unifran, dia da semana, 18h10. O trânsito está calmo, poucos carros são vistos transitando e o silêncio impera. Alguns poucos estudantes são vistos entrando na universidade, adiantados para o início das aulas, às 19 horas. Mas, em poucos minutos, o quadro muda drasticamente.
Unifran, 18h35. A primeira de muitas buzinadas é ouvida. Com o horário de início das aulas se aproximando, cresce o fluxo de veículos. O trânsito vai ficando cada vez mais estrangulado à medida que os ônibus, quase todos vindos de cidades da região, vão se aproximando. Com o passar do tempo, a avenida Pedro Henrique Cintra e a dos Sapateiros passam a receber o que parece ser uma caravana, mas que na verdade é um conjunto desordenado de mais de 50 ônibus.
Como forma de acelerar o desembarque, os ônibus acabam colocando os alunos em situações de risco. A reportagem flagrou os veículos trafegando pela Pedro Henrique Cintra com as portas abertas e deixando os alunos desembarcarem no meio da via, em meio aos outros veículos.
Automóveis também foram vistos transitando pelas proximidades em alta velocidade quando o trânsito permitia. O cenário caótico, que dura até por volta das 19h10, deixa os alunos amedrontados com o perigo que passam diariamente. “Na hora de entrar e de sair é muito difícil atravessar a rua, porque os carros viram [na rua] com tudo. Já quase fui atropelado. Os motoristas deveriam ser mais conscientes”, disse o estudante de design gráfico Guilherme Augusto, 19. “Atravessar a pista é bem complicado, porque os carros e, principalmente, as motocicletas não respeitam a faixa de pedestres. Quando abrem o sinal, saem todos correndo. Tenho que tomar muito cuidado”, disse a graduanda em direito Thais Helena, 19. “O trânsito é horrível. Paramos muito abaixo da universidade, porque não tem lugar dos ônibus passarem. Esse viaduto aqui [da avenida dos Sapateiros] é muito perigoso, já vi muitos carros baterem. Tenho um pouco de medo”, disse a estudante de enfermagem Bárbara Zanetoni, 18, que vem de Miguelópolis para estudar em Franca.
Já os motoristas de ônibus se defendem. “Você para lá embaixo [na Pedro Henrique Cintra], e abre a porta para eles [os estudantes] descerem. Aí, conforme você vai tocando, o aluno vai pedindo para descer. Se nós não fizermos isso [andar com a porta aberta], chegamos à Unifran só às oito horas. É uma forma de poupar tempo. Faço, todos os motoristas de ônibus fazem, mas porque é necessário. Já soltar os alunos no meio da rua é proibido”, disse o motorista Ailton Pucci, de Sales Oliveira.
Os condutores também reclamam. “Teríamos que ter um estacionamento dos ônibus para a própria segurança dos alunos. Alguns ônibus com motoristas pouco conscientes deixam os alunos no meio da rua e, além disso, há o trânsito de motos e veículos, o que é perigoso para os estudantes”, ressaltou o motorista Márcio José Prieto, que leva alunos da região norte de Franca para a Unifran. “O motorista de ônibus está sofrendo. Aquela rua [a avenida Doutor Armando de Sales Oliveira] é mão dupla, e deveria ser mão única, além de ter carros estacionados dos dois lados. Tinha um estacionamento dentro da propriedade da Unifran, mas terceirizado. Ele fechou e, este ano, tem carros pegando vagas dos ônibus, que tão estacionando no meio do mato”, disse um motorista, que preferiu não se identificar.
POLÍCIA MILITAR
O 1º tenente da Polícia Militar Lázaro Antônio Felício reconhece que o grande fluxo de pessoas gera lentidão no trânsito. “Não podemos nos esquecer que o local, quando da inauguração da Unifran, tinha pouco fluxo de pessoas. Com o passar dos anos, foi alterando-se com a instalação de repúblicas, residências, condomínio e bares/restaurantes, aumentando consideravelmente o fluxo de veículos para o local, inclusive ônibus que transportam estudantes de cidades da nossa região para estudarem na universidade.”
Ele também afirmou que o policiamento é feito com viaturas e motocicletas no local. A PM não separa as autuações a ônibus e automóveis, mas já registrou nas imediações da Unifran, somente neste ano, 126 multas por estacionamento em local irregular, 51 por utilizar o celular conduzindo veículo e duas por ultrapassar o sinal vermelho.
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